Por: A Tribuna
03/10/2023
14:10

O filme “Vidas Amargas” estrelado por James Dean no seu primeiro filme que foi trabalho referencial em sua curta carreira como ator e que criou o seu legado no cinema será exibido na segunda-feira, 9 de outubro, no auditório da Rádio Cultura Municipal FM, na Praça Pádua Salles, centro de Amparo, a partir das 19h30. A apresentação é a atração da semana do Projeto Luz e Sombras.

Sinopse

A história se passa entre duas cidades próximas: Salinas e Monterrey. Duas cidades, dois estilos. Salinas é agrária e conservadora. Monterrey é comercial e, de certa forma, liberal. O jovem Cal (James Dean) mora em Salinas, mas é em Monterrey que descobre a verdade sobre o seu passado. A descoberta o leva à conclusão terrível de que o mal se transmite pelo sangue e que seu comportamento é herança de sua mãe, que imaginava morta há muito tempo.

Mas Dean (Cal) descobre o contrário, ela não está apenas viva, mas também é a próspera senhora de um bordel nas proximidades de Monterey. Dean a procura e guarda suas notícias para o irmão (Davalos) em um momento em que ele está vulnerável.

A cafetina Cathy quer distância do seu passado. Amarga e calejada, ela vive em um mundo de sombras consumida pelo vício. A aproximação de Cal a deixa em pânico, mas aos poucos ela percebe que Cal é um garoto de potencial e que se parece com ela em muitos aspectos.

O roteiro apresenta uma cativante trama que se encaixa em três momentos diferentes, mostrando a oposição entre o “bem” e o “mal”. No início, vemos o amor e o respeito entre os dois irmãos, algo que desaparece na reta final do filme quando Dean se apaixona pela namorada do irmão. Então os acasos e eventos do tempo empurram os jovens para caminhos distintos, pondo fim a uma convivência sadia onde predomina o ódio.

A história é influenciada pela história bíblica de Caim e Abel, enquanto grande parte do filme se concentra no personagem de Dean que se esforça para conquistar o amor de seu pai. É um filme sobre conflito de gerações, mas que vai muito além disso. É uma obra densa com personagens complexos e outros temas estão lá: o impacto da tecnologia; a transformação que a guerra traz à vida de uma pequena comunidade; a solidão; a perda da inocência; o conflito entre alinhados e desajustados; entre certinhos e malandros; e por que não dizer: entre o bem e o mal.

Atuação de Primeira

Versão extraordinariamente boa da segunda metade do romance clássico de Steinbeck; Dean é fascinante como o conflitante Cal e Julie Harris como Abra combina com ele cada passo de um tortuoso caminho. Burl Ives (o Xerife Sam) faz valer suas poucas pequenas cenas em que aparece. Richard Davalos é Aron Trask, o irmão de Dean e Raymond Massey é forte como o pai justo e equivocado. Mas o verdadeiro destaque no elenco de apoio é Jo Van Fleet em seu papel vencedor do Oscar como a cruel Cathy, amarga e solitária, mas sua atuação é sublime. James Dean foi ótimo em todos os seus três filmes como protagonista, mas este é seu melhor desempenho.

Quanto a James Dean, ninguém melhor que ele encarnou o jovem rebelde sem causa, trabalho referencial na sua curta carreira no cinema. Mas em “Vidas Amargas” é o filme que, muito provavelmente, tenha lhe representado o maior desafio enquanto intérprete, um dos três únicos, aliás onde ele atuou com maior destaque no elenco – que lhe valeu a fama de rebelde que o acompanhou por toda a eternidade (até os dias de hoje, para sermos sinceros). Tem-se aqui a possibilidade de vê-lo exatamente do modo como nos acostumamos a identificá-lo no imaginário popular, talvez de forma ainda mais intensa e complexa do que aquela verificada em “Juventude Transviada” (1955), outro dos seus raros clássicos.

Ao fazer um teste para o personagem Cal, o filho rejeitado em “Vidas Amargas”, ele foi escolhido pelo próprio autor do livro, Steinbeck, que ao vê-lo caracterizado, afirmou estar diante da mais perfeita personificação de sua criação – e foi aprovado com entusiasmo por Elia Kazan. Neste filme Dean compôs um tipo tão perturbado e intenso e acredita-se que era ele próprio na sua vida pessoal, ressonando com ainda mais força diante do público e a crítica. Como resultado, teve aqui sua primeira indicação tanto ao Oscar quanto ao Bafta – ambas, infelizmente, póstumas. James Dean morreu em setembro de 1955, deixando para trás mistério, legado e juventude eterna. Infelizmente, "Vidas Amargas" foi o único filme que ele viu lançado no cinema, quando os outros dois chegaram as telas ele já era história e uma lenda.

Este filme garantiu um bom lugar na filmografia de Elia Kazan e pelo menos para a maioria dos espectadores, é um bom filme. A trilha sonora de Leonard Rosenman é emocionante e aparece na íntegra por dois minutos na abertura do filme. O final é angustiante e surpreendente.

 

Ficha técnica

Vidas Amargas

Elenco: James Dean, Julie Harris, Raymond Massey, Burl Ives, Richard Davalos, Jo Van Fleet, Albert Dekker, Lois Smith.

Roteiro escrito por: Paul Osborn baseado no romance de John Steinbeck “A Leste do Éden”

Música: Leonard Rosenman

Diretor de fotografia: Ted D. McCord. Edição: Owen Marks

Direção: Elia Kazan

Uma produção da Warner Bros de 1955.

Gênero: Drama


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