Por: Marcelo Henrique
23/06/2021
08:06

Hoje, 23 de junho, Elza Soares completa 91 anos. Fiz questão de estudar, em linhas gerais, a vida dessa grande mulher, a quem tanto admiro, para alinhavar este texto-homenagem traçando um pálido perfil da aniversariante deste dia.

Nascida e criada na favela de Moça Bonita, hoje conhecida como Vila do Vintém, na Zona Oeste do Rio de Janeiro/RJ, o sofrimento a persegue, feito uma sombra, desde muito cedo. Aos 12 anos, foi obrigada, pelo pai, a se casar com Alaúrdes Soares, então com 22 anos, e com 13 já era mãe. Com apenas 21 anos, Elza já havia enterrado dois filhos, que morreram de fome, e também o primeiro marido.

Dona de uma voz potente e de uma personalidade forte, a talentosa Elza Soares é muito mais que uma cantora: é, de fato, uma sobrevivente que, como ela mesma diria, aos 13 anos, ao já famoso Ary Barroso, num programa de auditório, veio do “Planeta Fome”.

A rouquidão característica a transformou em uma artista singular no cenário nacional. Seu legado é tão notório que a BBC de Londres a elegeu como a cantora do milênio, em 2000. Pena que o povo brasileiro, de maneira geral, não faça justiça ao seu imensurável talento, preferindo apequená-la em rótulos como “a amante que acabou com o casamento de Garrincha” ou “a mulher que fez plásticas demais”.

Elza Soares, mulher guerreira, castigada pela vida de todas as formas: a fome, a pobreza, o casamento na infância, o ódio das massas, a perseguição pela ditadura (em 1970, teve sua casa metralhada no Rio e foi obrigada a se exilar, juntamente com Garrincha, na Itália), a morte de quatro dos seus sete filhos, a violência doméstica (Elza apanhava de Garrincha, que não conseguiu vencer o alcoolismo, e foi preciso deixá-lo para dar um basta à violência que sofria).

Em 2015, Elza conseguiu, finalmente, superar a dor de haver sido vítima de violência doméstica e, através da música “Maria da Vila Matilde”, vocifera: “Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim”. A canção rapidamente tornou-se um hino do movimento feminista e, desde então, sempre que a interpreta em shows e programas de TV, Elza convoca vítimas a denunciarem seus agressores.

No outono da vida, um terrível problema de coluna se manifesta, castigando sua velhice, obrigando-a, atualmente, a ficar sentada no palco e, por vezes, inclusive, o fôlego lhe falta. Mesmo assim, como por milagre, a voz continua poderosa – tal qual o espírito dessa mulher inacreditavelmente forte, que pode muito bem ser descrita com as mesmas palavras que, no passado, Agripino Grieco escreveu sobre Castro Alves: “É uma convulsão da natureza!”.

Quisera eu, neste dia, poder beijar-lhe a mão! Viva Elza Soares! Viva a aniversariante!


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