Por: Mkt A Tribuna
18/08/2020
11:08

Preparo físico, alimentação, determinação e muita prática. Não há dúvida de que esses são itens essenciais para que um atleta consiga alavancar seu desempenho. Mas a ciência já comprovou que a herança genética também desempenha um papel fundamental na capacidade esportiva do corpo humano. 

 

A partir da revisão de diversos estudos científicos e entrevistas com pesquisadores, o jornalista norteamericano David Epstein escreveu o livro “A Genética do Esporte”, publicado em 2013. No livro, Epstein fala sobre o papel de alguns dos genes que compõem o DNA de superatletas como o nadador Michael Phelps, com seus 37 recordes mundiais e o maior número de medalhas de ouro olímpicas em uma única edição (Pequim, 2008).

 

Algumas pré-disposições genéticas associadas com o desempenho esportivo não são uma surpresa: é conhecido que o DNA influencia no peso corporal, como é possível observar em linhagens familiares. Outras descobertas são mais específicas. É o caso do gene ACTN3, chamado gene Sprint, que influencia diretamente na performance esportiva. Ele é responsável por codificar uma proteína encontrada somente nas fibras musculares de contração rápida, usadas para velocidade e movimentos de explosão, propiciando a prática para triatletas, por exemplo. Se uma pessoa tem duas cópias da chamada ‘versão errada’ do ACTN3, não poderá atingir o mesmo que os que nasceram com o favorecimento genético.

 

Existem também genes que beneficiam o desenvolvimento de força e resistência física, que podem auxiliar a prática de fisiculturistas e halterofilistas, entre outros. As pesquisas científicas têm progredido cada vez mais para identificar quais as características do DNA que podem facilitar diferentes modalidades esportivas. Entretanto, a presença de uma característica genética que favoreça a prática de qualquer esporte não invalida a necessidade da dedicação e comprometimento.

 

Epstein ainda inclui duas informações importantes em seu livro. A primeira é que não existe um atleta geneticamente perfeito. A probabilidade de alguém ter um genoma completamente favorável para alguma modalidade esportiva é menor do que de um quadrilhão para um. Ou seja, são mil bilhões de pessoas para cada uma que tenha essa característica genética.

 

A segunda é uma boa notícia: a presença de um gene que favoreça a prática de algum esporte não é tão incomum quanto parece. Pelo contrário, o jornalista conta que a maior parte das pessoas no mundo pode possuir um DNA favorável para alguma modalidade esportiva: das sete bilhões de pessoas no mundo, seis bilhões possuem algum genoma que beneficie sua capacidade esportiva. Na verdade, bem mais do que somente um genoma: cerca de 66% da variabilidade da performance atlética pode ser explicada por fatores genéticos aditivos. Entre elas, a capacidade de resistência, o desempenho muscular, susceptibilidade a lesões, composição de massa de um organismo, e de aptidão psicológica.

 

É possível uma ampla combinação de diferentes genes envolvidos com o metabolismo e todas as vias relacionadas ao exercício para que sejam criados essas características, chamadas fenótipos. O restante dessa variação é explicado por fatores ambientais e comportamentais, como a alimentação e a prática.

A aplicação prática das descobertas científicas

Todas essas informações são muito interessantes, mas elas têm aplicações práticas? É claro que sim. Como David Epstein aponta em seu livro, identificar a presença de tais genes e suas propensões a modalidades esportivas é útil para otimizar o treino dos atletas e, assim, ajudá-los a “juntar suas paixões e a sua capacidade genética, os tornando o melhor que podem ser”.

 

Na prática, todos os estudos realizados para identificar quais as combinações genéticas responsáveis pela criação de cada fenótipo serviram para conceber uma nova abordagem no treinamento e acompanhamento de atletas, que passou a ser personalizada e bastante precisa. Em outras palavras, compreender as vantagens e obstáculos pré-dispostos geneticamente é valioso para o planejamento preciso de orientações para um melhor desempenho possível.

 

O estudo da genética já consegue auxiliar diretamente em três aspectos principais:

— Determinação da modalidade: diferentes combinações genéticas resultam na aptidão a diferentes modalidades esportivas. Escolher o esporte mais adequado para as aptidões específicas de cada indivíduo já é meio caminho andado para alcançar um bom desempenho.

— Nutrição: A nutrigenômica, ciência que estuda o efeito dos nutrientes em cada indivíduo a partir do perfil genético, possibilita a criação de uma dieta individualizada que aumente o potencial esportivo do atleta. Esta parte é importante para adequar, por exemplo, a alimentação de indivíduos que têm alguma deficiência na absorção de algumas vitaminas. Neste caso, com a suplementação.

— Monitoramento de lesões: existem variantes genéticas associadas à uma maior predisposição à lesões. Com essa informação o preparo do atleta também passa a ser individualizado, com o objetivo de prevenir sua ocorrência.

]

Este tipo de análise genética é mais comumente realizada em atletas profissionais, mas não é uma ciência exclusiva. Ela também pode ser bastante útil para esportistas que querem melhorar a qualidade de seu treino, seja na academia, ou em qualquer modalidade que tenham interesse.


  Compartilhar

Assinar o Jornal



Identificação do Assinante


Digite nos campos abaixo o seu e-mail ou CPF de cadatro em nosso site e sua senha de acesso.


Esqueceu o seus dados? Fale com a gente!

Assinatura
situs togel slot agen toto 4d togel macau slot mahjong wayz srbnews.id bandar togel online slot demo habanero situs slot pg soft wahtogel wahtogel unsurtoto unsurtoto unsurtoto unsurtoto unsurtoto unsurtoto situs togel online situs togel online togel macau togel slot oryornoi naturalmarkeet mgjakartaselatan jaigurudevashrammathura bo togel agen toto electrokwt