Por: Portal G1
06/12/2019
00:30

A Polícia Civil investiga um esquema de venda ilegal de túmulos no Cemitério Municipal de Monte Alegre do Sul (SP). O crime obrigou famílias a fazerem exames de DNA para identificação de parentes, uma vez que 46 ossadas achadas na vala comum estão sem identificação. Um ex-servidor é o principal suspeito.

Pelo menos nove túmulos foram vendidos de forma ilegal, alguns deles várias vezes. Além disso, outros foram demolidos para que os lugares fossem ocupados por novos. Ivo Fernando de Souza, alvo de apurações, trabalhou no cemitério como agente funerário entre 2002 e 2016.

"Muitas famílias estavam procurando a prefeitura para ter o direito de posse dos túmulos então comprados e tinham famílias que estavam procurando a prefeitura para realmente querer saber onde estava o túmulo dela, porque não tinha autorizado a ser vendido", explica o prefeito, Edson Rodrigo de Oliveira Cunha.

A administração municipal abriu uma sindicância e ouviu 12 pessoas que teriam comprado sepulturas diretamente com o agente funerário. Elas pagaram entre R$ 6,5 mil e R$ 12 mil pelos túmulos.

Apurações

 

Técnicos do Instituto Médico Legal (IML) foram ao cemitério para analisar os restos mortais que foram retirados dos túmulos e colocados na vala comum. Os profissionais encontraram 46 ossadas e, por enquanto, nenhuma delas foi identificada pelos exames de DNA já realizados com famílias da cidade.

A pensionista Aparecida conta que ficou surpresa ao visitar os túmulos do irmão e do avô.

"No espaço onde estava enterrado meu avô, tinha um túmulo enorme sendo construído. E no espaço onde estava enterrado meu irmão, onde nesse lado só tinha túmulo infantil, tinha um monte de túmulo de adulto construído e terminado", conta a mulher que está entre as pessoas prejudicadas pelo crime.

Quando o esquema veio à tona, há três anos, Souza pediu afastamento do cargo. Entretanto, foi alvo de vários boletins de ocorrência, prestou depoimento duas vezes e, segundo a Polícia Civil de Amparo, responsável pelas investigações, ele deve ser ouvido novamente em breve.

"A Polícia Civil já colocou todas as ossadas encontradas em dois túmulos lacrados, todas individualizadas, com numeração e DNA. Conforme for coletando e identificar, certamente as famílias vão ter as ossadas devolvidas", destacou o prefeito.

 

O que diz o suspeito?

 

Procurada pela EPTV, afiliada da TV Globo, o ex-servidor não atendeu às ligações.


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