Por: A Tribuna
18/08/2020
15:00

Com 33 anos, no auge da vida, construindo uma família e avançando na carreira, Diego da Silva Meira, coordenador de logística, recebeu uma notícia que mudou a sua vida. Era só uma consulta com urologista para a realização de uma vasectomia, mas o foco acabou mudando para um caroço, localizado em sua virilha. “Cerca de seis meses antes, tive uma dor muito forte na virilha e logo depois apareceu uma  íngua.  Busquei um médico que avaliou não ser nada demais e me receitou antinflamatório. Não sentia dor, mas o caroço cresceu e não me incomodava. Foi quando fui ao urologista e ele disse que não estava normal e me encaminhou, no dia seguinte, para outro especialista. Depois de quatro dias eu já estava na mesa de cirurgia para retirar o tumor”, conta. Diego foi diagnosticado com linfoma não-Hodgkin, um câncer que atinge mais homens do que mulheres. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA) para este ano de 2020 são estimados 12.030 casos, sendo 6.580 homens e 5.450 mulheres, tendo 4.394 mortes, segundo Atlas de Mortalidade por Câncer.

Agosto é o mês de conscientização sobre os linfomas que possuem sintomas variados.  O mais comum é o aumento dos linfonodos – originando as famosas ínguas – principalmente no pescoço e na virilha, como de Diego. Segundo Márcia Torresan Delamain, hematologista do Grupo SOnHE – Sasse Oncologia e Hematologia, os linfomas ocorrem quando os linfócitos começam a se multiplicar de maneira descontrolada, podendo ainda se disseminar para outros órgãos como pele, sistema nervoso central, medula óssea, entre outros. “Alguns são extremamente agressivos, causando sintomas logo no início e progressão rápida (meses ou até mesmo semanas). Já outros têm a progressão mais lenta, os chamados ‘indolentes’, e podem ficar assintomáticos por meses ou anos”, explica.

Segundo Paulo Vittor, também hematologista do Grupo SOnHe, apesar de pouco conhecido pela população em geral, os linfomas não-Hodgkin, o mesmo diagnosticado no Diego, são oitavo câncer mais comum em homens e o nono em mulheres. E, pode afetar pessoas de qualquer idade. “Os linfócitos são um tipo de glóbulo branco. Eles circulam pelo sistema linfático e pelos linfonodos: pequenos órgãos distribuídos por todo o corpo com a função de filtrar a linfa e capturar eventuais invasores.Vale ressaltar que qualquer processo infeccioso pode causar aumento do tamanho dos linfonodos, porém, nos linfomas, esse aumento é mantido (não regride sem tratamento específico) e, geralmente, é indolor”, explica

Outras manifestações frequentes de linfomas são perda de peso sem motivo, febre persistente e sudorese excessiva, principalmente durante a noite. Além disso, podem causar sintomas específicos quando acometem algum órgão: nos linfomas cutâneos, a pele pode revelar variados tipos de lesões; já nos linfomas que acometem sistema nervoso central, o paciente pode apresentar dores de cabeça, perda ou redução de movimentos e sensibilidade, entre outros. “O quadro clínico é extremamente variável. Por isso, a importância da avaliação precoce por um médico. O tratamento dos linfomas consiste, geralmente, em quimioterapia, acompanhada ou não de radioterapia, sendo que, nos casos dos linfomas menos agressivos, a quimioterapia pode não ser necessária ao momento do diagnóstico. Ainda, em alguns casos, há a necessidade de transplante de medula”, comenta Dra. Márcia.

Há seis meses da sua última quimioterapia, Diego conta que receber o diagnóstico foi muito difícil, pois havia perdido recentemente seu avô e seu tio para o câncer. Entretanto, ele decidiu que enfrentaria a doença. “Posso dizer que a doença me despertou para a vida. Ela me fez olhar para a minha família de outra maneira. Hoje, valorizo cada momento. Minha relação com o trabalho mudou, consigo conciliar minha vida profissional com a pessoal de maneira saudável. A vida é o agora, por isso vivo com intensidade. A vida é muito boa para desistir dela. Vale a pena lutar contra o câncer ou qualquer outra doença. Não deixe uma simples íngua para depois. Procure um médico e investigue”, aconselha Diego.

Sobre os médicos

- Márcia Torresan Delamain é médica hematologista, graduada pela Faculdade de Medicina de Botucatu – Unesp e residência médica pela Unicamp. Tem título de especialista em Hematologia e Hemoterapia pela Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, com especialidade em Transplante de Medula Óssea. Mestre e Doutora pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Membro da Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia. Atua como médica assistente no Hemocentro – Unicamp e Oncologia Américas – e como hematologista do Grupo SOnHe – Sasse Oncologia e Hematologia atua no Instituto do Radium e Hospital Madre Theodora.

- Paulo Vittor é graduado em Medicina pela Universidade Federal de Goiás, com especialização em Clínica Médica na mesma instituição. Posteriormente, cursou Hematologia e Hemoterapia na Unicamp. Paulo faz parte do corpo clínico de hematologistas do Grupo SOnHe e atua no Hospital Santa Tereza e na Santa Casa de Valinhos.


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