Por: Jornal A Tribuna
13/12/2022
08:00

Uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelou que 34,3% das pessoas que fumavam aumentaram o consumo de tabaco desde 2020. Além disso, dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) indicam que nove em cada 10 fumantes passaram a consumir cigarro antes dos 18 anos, enquanto o hábito afeta 24 milhões de adolescentes de 13 a 15 anos. No Brasil, esse vício já acomete 100 mil jovens, segundo o Hospital Oswaldo Cruz.

Além dos inúmeros danos à saúde, o tabagismo também é um grande vilão do maior órgão do nosso corpo: a pele. Uma pesquisa da Universidade de Nagoya, no Japão, constatou que o cigarro gera uma queda de 40% na produção do colágeno, uma importante proteína presente no organismo que contribui para a elasticidade, hidratação e resistência da pele. 

“As toxinas do cigarro geram problemas que vão desde a queda da oxigenação e do aporte de nutrientes dos tecidos periféricos, até a diminuição da produção de colágeno, causando um ciclo de problemas no funcionamento cutâneo”, reforça o médico Renato Pazzini, dermatologista pela USP, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e membro do Corpo Clínico dos Hospitais Albert Einstein e Oswaldo Cruz.

Para entender alguns dos diversos prejuízos do tabagismo à saúde da pele, o dermatologista listou sete fatos que farão você pensar duas vezes antes de colocar um cigarro na boca:

Sete razões para você parar de fumar

Vasoconstrição - É por meio do fluxo sanguíneo que substâncias importantes, inclusive o oxigênio, são transportadas para órgãos e tecidos. No entanto, as toxinas do cigarro diminuem a espessura dos vasos sanguíneos, deixando-os mais contraídos e dificultando a irrigação do tecido cutâneo, o que prejudica a oxigenação das células. “Para se ter ideia, um único cigarro já reduz o nível de oxigênio na pele por cerca de uma hora”, diz Pazzini.

Cicatrização comprometida - O cigarro tem forte ligação com complicações pós-operatórias, incluindo infecções de feridas. Com a vasoconstrição, o processo de cicatrização é afetado, já que as substâncias hidratantes não encontram o caminho em meio aos vasos finos, prejudicando o processo de recuperação e regeneração da pele. “Em cirurgias, os fumantes têm maior risco de necrose, tanto pela vasoconstrição como pelo efeito pró-trombótico. No caso da vasoconstrição, o fluxo sanguíneo periférico diminui em 30 a 40% em poucos minutos após a inalação da fumaça, comprometendo a oxigenação dos tecidos e a cicatrização”, complementa Renato Pazzini.

Lúpus - O lúpus é uma doença inflamatória crônica que afeta pele, articulações, sistema nervoso central, entre outros órgãos. Fumantes acometidos pela doença possuem mais edemas e dores em mais de duas articulações, assim como uma menor resposta imunológica. Além disso, apresentam problemas de pele irreversíveis relacionados ao lúpus.

Psoríase - A psoríase é uma doença inflamatória que atinge a pele de mais de 2% da população mundial. É uma doença crônica e autoimune que causa lesões escamosas, grossas e inflamadas na pele. Diversos estudos já comprovaram que a psoríase se desenvolve de forma mais severa nos tabagistas. “As substâncias tóxicas do cigarro desequilibram o sistema imunológico do paciente, interferem na eficácia das medicações específicas para psoríase e, consequentemente, desencadeiam crises, com piora nas lesões de pele”, afirma Renato Pazzini.

Acne inversa - A hidradenite supurativa, mais conhecida como acne inversa, é comum em fumantes. Muitas vezes confundida com espinhas ou furúnculos, a acne inversa é uma inflamação crônica da pele, caracterizada por inchaços e cistos profundos em áreas como axilas, mamas, virilha, genitais e glúteos. Segundo o dermatologista, alguns estudos indicam que a nicotina altera a função das células imunológicas, gerando uma hiperplasia epidérmica, a ruptura dos folículos pilosos e, consequentemente, a acne inversa.

Envelhecimento da pele - Dentre os efeitos do tabagismo está o envelhecimento cutâneo, acelerando o surgimento de rugas, linhas proeminentes, flacidez, pigmentações amareladas, avermelhadas ou acinzentadas. “As toxinas do cigarro penetram nos fibroblastos (células da pele que produzem o colágeno), aumentando a produção da enzima metaloproteinase, que destrói estas fibras. Também aumentam a produção de radicais livres (moléculas instáveis que agridem a pele, acelerando seu envelhecimento)”, explica Renato Pazzini.

O hábito de fumar contribui ainda no surgimento de rugas labiais, o chamado “código de barras”. As marcas são uma consequência da repetição de movimentos dos músculos do rosto ao tragar. 

Para as mulheres fumantes, o risco de envelhecimento precoce da pele é maior, já que a nicotina interfere no fluxo do estrógeno (hormônio feminino que, entre várias funções, atua na síntese do colágeno e da elastina).

Dermatite

O cigarro tem forte relação com dermatite de contato alérgica, como o eczema nas mãos. Nos produtos, há diversas substâncias alérgenas presentes no filtro, no papel e no tabaco. Se já não bastasse, os adesivos de nicotina, para quem decide parar de fumar, também causam dermatite de contato irritante e alérgica. “Há diversos tratamentos dermatológicos que minimizam os efeitos estéticos, como cremes à base de ácido retinoico e hialurônico; aplicações de toxina botulínica e preenchimentos para atenuar as linhas de expressão ou luz pulsada para reduzir manchas. Entretanto, o melhor tratamento é parar de fumar, evitando os inúmeros prejuízos à saúde física e mental”, finaliza Renato Pazzini.  


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