Por: Adilson Luis Zorzi
23/03/2021
07:03

Com sintomas leves de uma infecção por coronavírus e a necessidade de manter-se isolado, o auxiliar contábil Rafael Ferrarini Grolla buscava uma alternativa para atendimento. Foi então que agendou uma consulta online. “Soube da possibilidade pelo site da operadora do meu plano de saúde. Achei muito prático. É uma boa iniciativa, em especial neste momento de distanciamento”, avaliou. Assim como ele, diversas pessoas estão buscando o atendimento médico online, tornando a teleconsulta uma das tendências da medicina, já uma realidade para as operadoras de planos de saúde e que influenciará o Sistema Único de Saúde (SUS) no futuro.

A pandemia acelerou muitos projetos da área da saúde. Diversas tecnologias ganharam impulso com a necessidade do isolamento social e maior segurança para pacientes, médicos e equipes de saúde. De forma notável, um dos avanços foi a implantação da telemedicina, autorizada pela lei federal nº13.989 em abril de 2020. Apesar de limitá-la, inicialmente, ao período da crise sanitária, já se mostra uma tendência que cresce em todo o país. Para diversos especialistas, não haverá justificativa razoável para o Brasil, uma nação com dimensões continentais e com tantos gargalos na saúde, não autorizar o uso permanente da telemedicina no pós-pandemia.

Entende-se por telemedicina, entre outros, o exercício da medicina mediado ao uso de tecnologias para fins de assistência, pesquisa, prevenção de doenças, lesões e promoção da saúde. De forma geral, ela é muito utilizada para um atendimento eletivo, ou seja, não de urgência e emergência, para cuidados com atenção integral à saúde, muito eficaz para o acompanhamento, por exemplo, de doenças crônicas (diabetes, pressão alta etc.), orientações, resultado de exames e pós-operatórios. Através das plataformas de atendimento, ainda, é possível o médico fazer atestado médico, receita e solicitação de exames.

Discussão

Apesar da autorização federal ter sido dada apenas ano passado, o tema é discutido e solicitado há muito tempo pelas operadoras de saúde. Para o momento de pandemia, com os Pronto Atendimentos e hospitais sobrecarregados, essa ferramenta buscou desafogar estes ambientes para quem realmente precisa de atendimento presencial, considerando que tais espaços são aqueles com maior risco de contágio.

Para o médico e diretor de Recursos Assistenciais da Unimed Amparo, Roberto Pavani, o tempo de uso da telemedicina já mostrou sua eficácia. “Se pensarmos no número de pessoas que vão a um Pronto Atendimento, pelo menos 50% dos casos poderiam ter sido resolvidos com uma consulta online, possibilitando até mesmo uma solução mais rápida. A telemedicina não substitui o atendimento presencial, mas apresenta-se como uma importante ferramenta de relacionamento entre paciente e médico. Ela traz economia de tempo, rapidez, segurança e conforto, porque o paciente não precisa sair de casa para o atendimento, em especial aqueles que têm dificuldade de mobilidade”, explica o médico.

Segundo o profissional, a telemedicina, como outros avanços, demanda adaptação, quebra de paradigmas e aprendizado para os pacientes e para os profissionais de saúde. “De maio do ano passado, quando iniciamos o atendimento online, até fevereiro desde ano, a Unimed Amparo, por exemplo, realizou mais de 800 consultas e o número cresce a cada mês. Obviamente que para o atendimento online é preciso agir com bom senso para que seja possível um bom resultado, pois existem situações em que o exame físico presencial é imprescindível.  A telemedicina é algo que chegou e para ficar”, observa.


  Compartilhar

Assinar o Jornal



Identificação do Assinante


Digite nos campos abaixo o seu e-mail ou CPF de cadatro em nosso site e sua senha de acesso.


Esqueceu o seus dados? Fale com a gente!

Assinatura