Por: Fonte: Jornal do Carro
29/11/2022
17:00

Assim como como aconteceu no Brasil, os preços dos carros usados dispararam nos Estados Unidos durante a pandemia da Covid-19. Por lá, o aumento foi de praticamente 42,5% em pouco mais de dois anos. No entanto, esses números podem estar prestes a mudar. De acordo com um relatório do J.P. Morgan Research, os valores dos veículos usados atingiram o pico máximo no início de 2022 e podem cair de 10% a 20% em 2023.

O levantamento diz que os preços devem se manter elevados até o final deste ano. Mas é logo no início de 2023 que eles podem reduzir entre 2,5% e 5%. A queda será bem-vinda, afinal, a consultoria observou que o carro 0-km está custando em média US$ 45.622 em setembro deste ano. Ou seja, US$ 3.462 a mais do que o mesmo período do ano passado. Na conversão para o real brasileiro, são R$ 244 mil na cotação do dia, preço de um SUV médio.

É uma situação bem similar ao que está acontecendo no mercado brasileiro, onde o segmento de usados está superaquecido desde 2020. Parte do crescimento veio da alta dos preços dos carros 0km - com produção prejudicada pela crise dos semicondutores. Os novos, inclusive, inflacionaram o mercado também sob influências econômicas, como a disparada do dólar norte-americano.

Juros altos

Segundo o analista de pesquisa de patrimônio automotivo da JP, Ryan Brinkman, metade dos aumentos nos preços dos carros nos EUA está relacionada com o alto custo de insumos e matérias-primas. Assim, os veículos elétricos estão entre os mais atingidos, já que os preços do lítio, níquel e cobalto (que fazem parte das baterias) dispararam significativamente. Por isso, embora possa haver um alívio na indústria no próximo ano, a inflação ainda está presente na cadeia de suprimentos. Além disso, os impactos da crise dos chips também continuam presentes.

Por aqui, o cenário muda um pouco. A expectativa, de fato, é de redução dos preços. No entanto, o mercado permanece muito instável e levará um tempo para se recuperar. Para comparação, em outubro, o Brasil registrou uma queda de 6,7% nas vendas em relação ao mês anterior, de acordo com a Fenabrave. Isso graças aos efeitos dos juros mais altos.

Outro ponto que também vai contribuir para a redução de preços dos automóveis seminovos é a renovação das frotas de locadoras. Ou seja, isso faz com que os veículos de aluguel - que "pereceram" para as empresas - entrem em oferta nas lojas de seminovos e usados de empresas como Localiza e Movida. Assim, aumenta a oferta e, por sua vez, diminui o preço.


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