Por: A Tribuna
27/04/2022
15:04

A churrasqueira Tatiana Pretona, 32 anos, moradora do Parque do Lago, na região do Jardim Ângela, na zona sul de São Paulo, é dona da Laje da Preta, um espaço onde serve suas especialidades e recebe clientes.

Ela também leva seus pratos a eventos externos. Há alguns dias, Tatiana decidiu expor no Instagram a recusa a um orçamento, coisa comum na vida de empreendedores, mas dessa vez com afirmações de racismo escancarado.

"Seu orçamento foi um dos melhores que recebemos, porém infelizmente não estaremos contratando seus serviços pois nosso cliente não gosta de pessoas da cor da sua pele".

O pedido para um evento de Páscoa com 50 pessoas ni domingo, 17 de abril, foi feito em mensagem por meio do Instagram @Pretona_BBQ. Ela voltou à conversa alguns dias depois e se deparou com a resposta.

A frase deixou Tatiana anestesiada e roubou várias noites de sono, mas ela fez print da mensagem e divulgou. "Tive retorno de várias pessoas negras que passam por isso sempre e se calam, por medo e vergonha do que os outros vão achar", conta Tatiana em entrevista ao blog Vencer Limites.

"Em pleno século 21, nós pretos sofremos ataques e ainda temos medo de falar, medo de expor isso, É triste e doloroso", diz Pretona, que não pretende levar o caso à polícia ou à Justiça.

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Esta foi a mensagem recebida pela churrasqueira após apresentar um orçamento

Procon notifica Instagran

O Procon-SP notificou o Facebook Serviços Online do Brasil, responsável pelo Instagram, pedindo informações sobre mensagem racista enviada após o envio de um orçamento feito pela empreendedora Tatiana Pretona. A notícia do caso foi veiculada pela imprensa.

Ao responder ao pedido feito por meio de sua conta no Instagram, a empreendedora recebeu uma recusa com argumento racista: "Seu orçamento foi um dos melhores que recebemos, porém infelizmente não estaremos contratando seus serviços pois nosso cliente não gosta de pessoas da cor da sua pele".

O Procon-SP quer que a rede social informe quais foram as providências que tomou diante da situação e comprove que adota as medidas técnicas, administrativas e de segurança para proteger os usuários de casos de publicação, divulgação e comunicação de conteúdo discriminatório nos termos da Lei nº 7.716 de 1989 -- legislação federal que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.

O Instagram deverá enviar documentos que demonstrem as ações tomadas em relação à identificação/comunicação por usuários ou terceiros de possíveis problemas em conteúdos divulgados em sua rede social -- desde a recepção dos relatos até a solução aplicada ao caso, além de comprovar o funcionamento de Canais de Atendimento aos consumidores para recebimento e tratamento de demandas de natureza operacional e de segurança.

 

 


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