Por: Alexandre Silva
31/08/2021
08:08

Em setembro de 2015, líderes de 193 países, incluindo o Brasil, reuniram-se na sede da ONU, em Nova York, para aprovar a Agenda 2030, que se configura como parte de um movimento global para a erradicação da pobreza por meio de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030.  O Objetivo 4 foi dedicado a “Inclusão e Equidade na política de Educação.” Em seu enunciado existe o compromisso da garantia de uma educação de qualidade inclusiva e equitativa, voltada a promoção de aprendizagem que permanecerão para o resto da vida para todos. O Objetivo citado também pede pela construção e atualização de instalações educacionais que sejam sensíveis às crianças, às deficiências e às questões de gênero, de forma a proporcionar um ambiente de aprendizagem seguro, não violento, inclusivo e eficaz para todos. Deve se ressaltar que as crianças com deficiência estão entre os grupos mais excluídos. Na História da Humanidade, sempre ocorreu a marginalização desse numeroso grupo de cidadãos, composto de quase um quarto da população mundial.  A defesa da inserção das crianças e jovens com deficiência em escolas regulares inclusivas, contado com o pleno apoio pedagógico, sempre esteve presente na pauta de importantes encontros mundiais e em muitos países existiram progressos significativos neste sentido. No entanto, infelizmente em nosso País, deparamos nas últimas semanas com falas “descabidas e assustadoras” de um Ministro da Educação que traz à tona entendimentos dissonantes dos avanços que aconteceram nos últimos anos.   Em entrevista ao programa Novo Sem Censura, da TV Brasil, no dia 9 de agosto, o ministro Milton Ribeiro afirmou que “que existe “inclusivismo” quando alunos com necessidades especiais atrapalham o aprendizado de outras crianças sem a mesma condição”.  Já no dia 19, tentou minimizar sua fala, em uma visita à Recife argumentando que "Nós temos, hoje, 1,3 milhão de crianças com deficiência que estudam nas escolas públicas. Desse total, 12% têm um grau de deficiência que é impossível a convivência”.  Por incrível que pareça, na mesma semana o Ministro já havia afirmado que a Universidade não é para todos e em setembro de 2020 arguindo entendimentos religiosos, condenou o adolescente que opta por andar no caminho do homossexualismo [termo considerado preconceituoso]" alegando que é fruto da educação de "famílias desajustadas". Perante as atrocidades advindas do suposto Educador, podemos concluir que o Ministro além de desconhecer o disposto na AGENDA 30 da UNESCO, também não leu a atual Constituição Brasileira, em especial o artigo V e, provavelmente, nem sabe da existência da Lei Brasileira de Inclusão, promulgada em 2015.  As recorrentes afirmações do Ministro foram duramente criticadas por inúmeros Senadores, Deputados e líderes de entidades que representam as Pessoas com Deficiência.  Emocioanda a Senadora Mara Gabrilli enfatizou “E já que o senhor não reconhece o valor da diversidade na sociedade, torna-se impossível reconhecê-lo como Ministro da Educação.” Já o Deputado Romário, que foi relator da Lei Brasileira de Inclusão, e pai de uma jovem com Síndrome de Down, indignado afirmou que “a diversidade em sala de aula não atrapalha, porque ninguém que busque o conhecimento atrapalha. Pessoas com deficiência em sala de aula estão, com a sua presença, também contribuindo  para uma importante lição, a de que somos diversos e que não podemos deixar ninguém para trás”. Ainda bem que atualmente no Brasil, por força da lei, as escolas públicas e particulares devem receber estudantes com deficiência, sendo proibida a limitação de matrícula e exigências adicionais [no caso de escolas particulares, por exemplo, é vetada a cobrança adicional pelas adaptações]. Os estabelecimentos educacionais também devem ter equipe capacitada para garantir o auxílio a crianças e adolescentes com deficiência que estudem no local, além de estrutura física adaptada às diferentes necessidades. Por fim com alegria compartilhamos com os leitores que o ensino oferecido às Crianças com Deficiência, na rede municipal de Amparo desde o início do milênio, é destaque nacional, recebendo premiação e inúmeros elogios de respeitadas entidades respeitadas internacionalmente.  Quiçá a Sociedade Brasileira se una e posicione contrária ao retrocesso pleiteado pelo infeliz Ministro.  Que Deus dê discernimento, lucidez e principalmente visão ao senhor Milton Ribeiro. Quem sabe assim, com esse toque divino ele possa respeitar as diferenças, ressignificar o seu discurso e ver, com nitidez, o Amor Puro presente no coração de nossas crianças e jovens com deficiência. 

Nota da redação: Alexandre José Silva e Mariozane Machado Silva fundaram o Projeto “Nocauteando o Preconceito” objetivando defender os direitos das minorias e emponderar as Pessoas com Deficiência.

 


  Compartilhar

Assinar o Jornal



Identificação do Assinante


Digite nos campos abaixo o seu e-mail ou CPF de cadatro em nosso site e sua senha de acesso.


Esqueceu o seus dados? Fale com a gente!

Assinatura
situs togel slot agen toto 4d togel macau slot mahjong wayz srbnews.id bandar togel online slot demo habanero situs slot pg soft wahtogel wahtogel unsurtoto unsurtoto unsurtoto unsurtoto unsurtoto unsurtoto situs togel online situs togel online togel macau togel slot oryornoi naturalmarkeet mgjakartaselatan jaigurudevashrammathura bo togel agen toto electrokwt