Por: Jornal A Tribuna
18/12/2022
07:00

Retomando nossas cores, optei pelo Azul para retratar a Mentira. Nossa história está recheada de mentiras e, a cada avanço da modernidade, parece que ela cresce em nosso meio.

A mentira de dois lados clássicos: o da inocência e o da maldade. Ficarei com o da maldade, afinal é a que vemos nos políticos golpistas e nos falsos “patriotas”. O azul escolhi por passar o ar de tranquilidade, de um céu que ora pode estar limpo ora sujo.

Os quatro anos de governo Bolsonaro foram dedicados às mentiras disparadas pelo conhecido “Gabinete do Ódio”, berço de muitas fake news. Com a popularização e acesso facilitado aos meios de comunicação, o conceito de fake news ganhou forma e uso antidemocráticos.

Mentiras como, por exemplo, a da cloroquina como curadora da Covid, o negacionismo das vacinas, fizeram com que as pessoas abandonassem o hábito saudável e preventivo de se imunizarem, acarretando o retorno de doenças já erradicadas, que voltam a nos assombrar. Quem não se se lembra da propaganda negativa de “virar um jacaré”?

O ataque ao SUS pelos vários ministros da saúde, sendo o mais nefasto o militar Eduardo Pazuello. Fora a CPI da vacina e seus escândalos. Mentiras que foram jogadas debaixo do tapete do sigilo de 100 anos. Além do uso da PF e de juízes estaduais amaciando as falcatruas da família miliciana.

Tais notícias fraudulentas que circulam nas mídias sociais e na internet, em especial pelos portais de comunicação on-line, como redes sociais, sites e blogs, que são plataformas de fácil acesso e, portanto, mais propícias à propagação de notícias falsas, visto que qualquer cidadão tem autonomia para publicar.

Em levantamentos feitos com entrevistados, mais de 60% admitem ter acreditado em notícias falsas. Um outro estudo, feito em junho de 2020, sobre o Relatório de Notícias Digitais do Instituto Reuters (Reuters Institute Digital News Report), mostrou que o WhatsApp é uma das principais redes sociais de discussão e troca de notícias no país, perdendo apenas para o Facebook. O levantamento apontou que 48% dos brasileiros que participaram da pesquisa usam o aplicativo como fonte de notícias, número bem superior se comparado ao índice de países como: Austrália (8%), Reino Unido (7%), Canadá (6%) e Estados Unidos (4%).

As fake news (ou notícias falsas) espalham-se rapidamente e apelam para o emocional do leitor/internauta, chamando atenção com títulos sensacionalistas e causando o consumo do material “noticioso” sem a confirmação da veracidade de seu conteúdo. Dos celulares e notebooks para as ruas é um passo, e o assustador é que se tornam mantras repetidos pelos adeptos dessa mentira.

Não há interesse em buscar a verdade ou de checar a notícia, apenas replicá-la, seguindo as ordens de poderosos da economia e de seitas religiosas conservadoras.

Algumas pessoas passam pelo ridículo de falar e defender o indefensável com a maior naturalidade e desenvoltura, mesmo que os números, fatos e história não batam com sua “mentira de estimação”. Mentiras como a de que Lula morreu e seu corpo foi trocado por um sósia, que ETs poderiam ajudar no processo de “intervenção federal”, que o MST tomaria terras e casas ou que as igrejas seriam fechadas. A mais recente delas é a crença de alguns amotinados em praças e estradas de que eles são “o povo” e que fazem uma “resistência civil”. Aliás, gostaria de saber que povo eles são e resistência a quê?

O pior desses atos mentirosos foi o “lawfare” (uma junção da palavra law = lei e o vocábulo warfare = guerra), um tipo de fake news da grande mídia (imprensa marrom), que consiste na distribuição deliberada de desinformação ou boatos via jornal impresso, televisão, rádio, ou ainda on-line, como nas mídias sociais. Esse tipo de notícia é escrito e publicado com a intenção de enganar a fim de se obter ganhos financeiros ou políticos, no caso visando tirar a possibilidade da volta de Lula, atualmente eleito e reconhecido mundialmente.

Uma sociedade precisa fazer suas reflexões sobre o passado e o presente em busca de um futuro melhor. Para isso, é necessário investir em educação, preparar seus professores e trabalhar na preservação da sua cultura para um futuro justo e plural. Coisa que não vimos no atual governo sem empatia com o social.

A mentira traz prejuízos que a verdade levará tempo para ajustar, mas os ricos, gananciosos, continuarão a investir grandes somas para que a corrupção se mantenha junto às suas bancadas e no centrão.


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