Por: Marcelo Henrique
31/08/2021
08:08

Quem manifesta publicamente apoio a atos antidemocráticos, desde o homem do povo ao artista mais popular (passando por todas as camadas da população), está cometendo um crime, está afrontando a Constituição do Brasil e, consequentemente, profanando os valores basilares de nossa democracia. E a lista dos apedeutas só faz crescer: Sérgio Reis, Ratinho, Zezé de Camargo…

Isso não é liberdade de expressão! Isso não é livre manifestação do pensamento – garantido pela Constituição! Isso é incitação ao crime de lesa-pátria! É um atentado ao estado de direito. Afinal, mesmo o direito à crítica, assegurado a todas as pessoas, esbarra, felizmente, em limites legais, sendo absolutamente inadmissíveis discursos de ódio, teses racistas e atos contra a democracia.

Igualmente, policiais militares que convocam a população para participar de atos com pautas antidemocráticas podem responder por transgressão disciplinar de natureza grave, que pode ensejar a instauração de processo disciplinar, levando, inclusive, à expulsão da corporação.

Apoiar o presidente da República pode. O que não pode é pregar a invasão do Congresso Nacional e do STF, tampouco exigir o “impeachment” de ministros do Supremo ou a aprovação, por parte do Legislativo, de pautas já votadas e rejeitadas, como é o caso do voto impresso.

Por outro lado, tenho para mim que esse pretenso golpe que se anuncia, com grande estardalhaço, para o próximo 7 de Setembro (Dia da Independência do Brasil), prometendo estrondo colossal, produzirá apenas, quando muito, um estampido de traque a provocar risos na gente séria e de bom senso deste país.

É bem verdade que Bolsonaro não ajuda sequer minimamente ao confirmar presença em duas manifestações no dia 7 de setembro – pela manhã em Brasília e à tarde em São Paulo. A reação é que cresce o número de grupos contrários que programam passeatas e mobilizam participantes para atos em todo o Brasil.

O que poucos percebem é que o verdadeiro golpe, no bolso e no coração de cada brasileiro, está em curso desde março de 2020, com o uso político da pandemia, com a alta dos combustíveis, dos alimentos, dos remédios, da energia elétrica…

Atualmente, quem não morre vitimado pela peste vai se privando do mínimo de que precisa para sobreviver, vai definhando, vai se desiludindo, vítima da desesperança e das muitas incertezas. E o Governo Federal tem grande culpa nisso!

Quem quiser se manifestar, pró ou contra, que o faça longe dos arruaceiros, dos baderneiros, que aja pacificamente e, sobretudo, dentro da lei, com consciência e sobriedade, com humanidade e respeito. E, se puder, fique em casa – seja pela pandemia, seja pelo clima propenso à violência que se desenha no horizonte.

Vibre pela paz, não aceite provocações, mas se prepare para a guerra!

Nota da redação: Marcelo Henrique, poeta, escritor e jornalista.

 


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