Por: Marcelo Henrique
18/05/2023
14:05

Mais do que a ignorância (no sentido de falta de conhecimento), a maldade travestida de informação, como se verdade fosse, me enraivece ao extremo. Quando a pessoa é de direita, mas tem estofo intelectual, sensibilidade e compromisso com a verdade, os debates, quando ocorrem, se dão em altíssimo nível. Eu poderia citar, entre tantos, dois gigantes do pensamento brasileiro, em especial, um no Direito e outro no Jornalismo, ambos sabidamente de direita, amigos queridos que têm meu profundo respeito e minha estima; não os nomeio, porém, por não os haver consultado de antemão. Até porque figurariam, aqui, como contrapeso ao jornalista Alexandre Garcia, que foi porta-voz e lambedor de coturnos do ditador Figueiredo, o último dos generais-presidentes, esse mesmo Alexandre Garcia cuja simples menção é capaz de enlamear até a sombra dos que dele estejam próximos – ainda que num simples texto.

Quando a pessoa é de direita, mas é de uma burrice que zurra, pateja, abana o rabo e desfere coices, seu declínio e sua humilhante exposição são profundamente tristes e lamentáveis. E é isso que, s.m.j., tem ocorrido com Alexandre Garcia, incansável no afã de passar vergonha no crédito e a prazo, lançando, dia a dia, o que restou de sua débil credibilidade ao vento, insistindo e persistindo em incontáveis “fake news” logo desmentidas pela mídia séria e comprometida com a verdade.

O problema não é ser de direita ou de esquerda, o problema é ser canalha, defensor do fascismo e dos fascistas, é entregar-se, deliberadamente, a delírios ideológicos de extrema-direita, além de, desmemoriado, ser incapaz de nutrir sequer um mínimo sentimento de gratidão pelas empresas que o abrigaram (Globo e CNN, por exemplo), cuspindo, sempre que pode, nos pratos em que comeu. Assim como grande parte de nós, Alexandre Garcia, bem o sei, guarda dores no recôndito da alma, no íntimo do ser, dores essas que devem, sim, ser respeitadas, inclusive a perda, em novembro de 2014, de um filho que ceifou a própria vida; contudo, é preciso asseverar que, tanto quanto se deduz, a perda familiar não contribuiu para que o jornalista burilasse o caráter e apurasse os dons, passando a servir a causa do bem, haja vista haver encontrado ânimo e vigor para, em abril de 2019, fazer troça do suicídio de Alan García, ex-presidente do Peru.

Diferentemente de Estêvão, primeiro mártir do Cristianismo, que dispensaria quaisquer bons motivos para não ser apedrejado, abraçando, de bom grado, a coroa do martírio, Alexandre Garcia, oráculo nonsense da brasilidade e corifeu do negacionismo, ao mentir e reverberar suas deslavadas mentiras contra a vacina, contra o STF e contra o atual governo democraticamente eleito, numa reiterada tentativa de puxar o cordão do golpismo, longe de qualquer vocação, consciente ou não, para o martírio, escarnece dos homens de bem e, apedrejado pelas camadas conscientes da população, dissocia-se da luz da verdade e caminha, a passos céleres, para a lata de lixo da História.

Nota da Redação: Marcelo Henrique, poeta, escritor e jornalista

 


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