Por: Antonio Carlos de Oliveira,
22/02/2021
08:02

Certa vez, assisti a uma palestra na qual o orador teceu grandes elogios à cidade de Amparo.

Há muitos anos, nossa cidade disputava com Campinas a liderança do Estado. Aquela cidade tinha, mais ou menos, a mesma população e a mesma pujança econômica. O tempo passou, o mundo sofreu as mais variadas e até impossíveis transformações e Amparo não conseguiu manter aquela posição de alto destaque. Quem acompanha a mídia brasileira e em especial a de São Paulo constata a pouca divulgação da cidade de Amparo. Raramente, aparece uma reportagem, um artigo ou uma figura lembrando nossa cidade. Às vezes, um esportista, um empresário, um literato, um artista, um político, sei lá... Mas, convenhamos, para uma urbe de ricas tradições é muito pouco, é quase nada. Mais uma vez não conseguimos eleger um deputado. Onde estão (ou já não existem mais?) os nossos líderes políticos, artísticos, intelectuais, empresariais?

Posso, aqui, relatar o meu exemplo. Sou professor aposentado, escrevo há vários anos, pertenço à Academia Amparense de Letras e, às vezes, sinto uma enorme frustração por ser apenas um cronista amador e completamente ignorado pela mídia. Não vejo quase nenhuma perspectiva de sucesso e muito menos uma ajudazinha de algum poderoso. E como obter a colaboração de alguma figura de destaque se ela praticamente não existe dentro do círculo de amizade?

Será que o destino de Amparo é viver eternamente amarrado à mística do passado glorioso? E como ficamos no presente?

É evidente que, em primeiro lugar, todo aquele que quiser ser promovido deve ter talento. Observando a mídia, noto que o nepotismo e o favorecimento são comuns em todos os setores. Filho de artista famoso torna-se também artista, neto de político também se torna político, mulher de escritor vai para a Academia e publica livros, e por aí vamos...

Por uma questão de ética e de modéstia, a pessoa não pode ficar apregoando suas experiências e qualidades.

Certa vez, escrevi numa crônica algo assim: sou apenas um modesto cronista de um modesto jornal de uma modesta cidade do interior. Só está faltando o pseudônimo: Modesto de Oliveira. É por essas e outras que faço a pergunta cara de pau: por onde andará o meu mecenas?

Enquanto ele não aparece (tanto para mim como para minha cidade) continuamos a fazer jus ao título desta crônica: Nós, os apagados.

Nota da Redação: Antonio Carlos de Oliveira, professor e escritor, é membro da Academia Amparense de Letras (AAL)

 


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