Por:
09/12/2022
08:00

“Quando se patina sobre o gelo fino, a segurança está na velocidade.” (Ralph Waldo Emerson)

É evidente que estamos vivendo em uma sociedade em que as condições sob as quais agem seus membros mudam num tempo mais curto do que aquele necessário para a consolidação, em hábitos e rotinas, das formas de agir.  Em minhas palestras, proponho inúmeras reflexões sobre a rapidez com que se processam as mudanças, principalmente a partir do ano 2000. Imagine uma pessoa, vítima de um grave acidente, que entrasse num estado de coma, de 1950 a 2000; e outra, em condições semelhantes, de 2000 a 2022; imagine, também, outro caso, com interstício menor de tempo, de 2022 a 2025.

No primeiro caso, ao acordar após 50 anos, essa pessoa certamente não sentiria o impacto das mudanças. A vida ainda seria parecida com a de seus pais e avós. Na segunda situação, o impacto já seria muito grande, principalmente com a chegada das novas tecnologias, principalmente das redes sociais e milhares de mortes causadas por um vírus invisível e com um poder de destruição que colocou em xeque a própria racionalidade humana (ou supremacia).

Já quem dormir agora e acordar somente em 2025 certamente irá deparar com um mundo e, consequentemente, com uma sociedade vivendo em condições e com hábitos totalmente diferentes dos de hoje. Podemos dizer com tranquilidade que o mundo já é “incompreensível” para quem nasceu no século passado. Para entender as mudanças, achei oportuno compartilhar com os leitores algumas informações para ajudar a solucionar as aflições presentes na atualidade. 

Logo após a segunda Guerra Mundial, o exército americano criou o termo “Mundo VUCA” para identificar os termos em inglês volatily, uncertainy, complexity e ambinguity, que, em português, significam volatividade, incertezas, complexidade e ambiguidade.  O termo buscava definir um novo mundo, nascido com as inúmeras mudanças vivenciadas no meio industrial e nas novas relações presentes nas redes sociais. No entanto, os estudiosos do novo milênio, tendo à frente o antropólogo Jamais Cascio, entenderam que o Mundo V.U.C.A. não mais justificava a revolução tecnológica e as profundas mudanças comportamentais que se processaram principalmente a partir da década de 90. A pandemia também foi um fator decisivo para criação do “Mundo B.A.N.I.” sucedendo o “Mundo VUCA”, que melhor enquadraria o estado atual do mundo. A sigla se refere às principais características do atual conceito do mundo.  O significado B (brittle) = Frágil, A (anxiuos) = Ansioso, N = (nonlinear) = Não-linear e I (incomprehensible) = incompreensível certamente define a nossa fragilidade perante os complexos e imprevisíveis desafios que se apresentam nas mais diversas dimensões.

É triste constatar o expressivo aumento do uso de ansiolíticos tentando conter a depressão que assola a humanidade. Para melhor entendimento, no site O Globo – Saúde, foi revelado que, em 2021, a palavra “ansiedade” teve seu volume de busca aumentado em cinco vezes no Google em comparação ao mesmo período de 2014. A mesma reportagem também cita um levantamento do Datafolha mostrando que 44% dos brasileiros apresentaram sintomas de ansiedade no final de dezembro do último ano. Além dessas tristes constatações, é visível o recrudescimento da intolerância nas relações sociais, motivada pelas divergências religiosas e ideológicas. A falta de adaptação à nova realidade está gerando resultados catastróficos. 

É triste, também, compartilhar com os leitores que, de 2016 a 2021, o número de suicídios associados a crianças e adolescentes na faixa de 10 a 14 anos teve um aumento de 45% e de 49,3 entre os jovens de 15 a 19 anos. Realmente, “viver neste mundo é para fortes” no entendimento de um “velho e sábio” amigo (lembrando que todo sábio é inteligente, mas nem todo inteligente é sábio).

Buscado contribuir com soluções eficientes e eficazes para ser feliz no “Mundo B.A.N.I.”, recentemente concedi entrevista para um programa televisivo (ao término do texto, compartilho o link), objetivando compartilhar respostas que nos empoderem para viver com dignidade e feliz neste mundo em mutação. Com o tema “O Futuro do Trabalho”, falei sobre as “Soft Skills”, ou seja, as novas competências comportamentais para sobreviver às intempéries da vida moderna. Um conceito que traz a maneira como uma pessoa deve lidar com o ambiente ao seu redor, principalmente consigo mesma.

O entendimento de renomados estudiosos nos leva a compreender que o estabelecimento de relações saudáveis, o controle das emoções, a capacidade de resolver conflitos e a resiliência são competências que garantem a qualidade de vida. A solidariedade, o comprometimento com a sustentabilidade, bem como o entendimento de que somos diferentes, mas não desiguais, tornam-se imprescindíveis não só para viver bem, mas principalmente para a materialização dos sonhos acalentados em feliz realidade.

Tenho a esperança de que a hipocrisia e a maldade, tão presentes neste momento, deem lugar ao amor e à paz. Para tanto, o esforço deve ser coletivo.  Finalizo com muito otimismo lembrando Gonzaguinha que, em uma de suas lindas canções, intitulada “Nunca pare de Sonhar”, nos diz que devemos ter “Fé na vida, fé no homem, fé no que virá. Nós podemos tudo, nós podemos mais. Vamos lá fazer o que será”.


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