Alimentação Intuitiva: comer bem e com prazer sem dietas


Será que é possível se alimentar de forma saudável, sem prescrições e restrições, mas também sem engordar ou até emagrecer?

Em um mundo em que a moda é encontrar a fórmula certa para emagrecer, geralmente glamourizadas pela mídia e pelas celebridades, fica difícil fazer escolhas certas em tantas propagandas e promessas. Saiba que você já conhece muito bem a melhor alimentação para você, desde que você nasceu, infelizmente se perdeu com o tempo.

Alimentação Intuitiva é um estudo desenvolvido pelas nutricionistas americanas Evelyn Tribole e Elyse Resch, autoras do livro Intuitive Eating. A alimentação intuitiva preza pela importância de nos alimentarmos de acordo com nossos sinais de fome e saciedade, sem restrições, sempre levando em conta as necessidades do nosso corpo. Este conceito, aliás, ataca a mentalidade da dieta, tendo como objetivo promover uma nova forma de pensar e ver a alimentação, deixando a nossa intuição controlar a forma como comemos.

Todas as pessoas nascem com a habilidade de reconhecer seus sinais de fome e saciedade, ou seja, de comer intuitivamente, mas graças a interferências externas, a maioria perde essa sintonia com corpo. Essas interferências podem ter diversas origens: da família, que vive de dieta e passa essa mentalidade para os filhos; das escolas, onde as crianças sofrem bullying por motivos de peso; e da mídia e da sociedade, que impõem um padrão de beleza, levando à insatisfação com o corpo. Tudo isso pode fazer com que as pessoas deixem de se guiar pelos próprios instintos e passem a confiar em fatores externos, como uma dieta ou uma regra alimentar, gerando o efeito sanfona e de obsessão com a comida, que são fortes fatores de risco para o desenvolvimento de compulsão alimentar, transtorno alimentar e obesidade.
Engana-se quem acredita que as dietas são a salvação para quem deseja emagrecer de forma efetiva. Estudos comprovam que as restrições e proibições alimentares não funcionam a longo prazo, e cerca de 95% das pessoas não consegue se manter na dieta por muito tempo. “Isso acontece porque as dietas afetam nossas vidas em vários sentidos, tanto em nível biológico, alterando nosso organismo e estressando nosso corpo; em nível psicológico, alterando nossa relação com a comida, podendo causar ansiedade ou compulsão alimentar; na vida social, impactando em nossas reuniões com famílias e amigos; e no âmbito cultural, por tentar alterar hábitos alimentares já enraizados na família e/ou sociedade”. O problema, é que passamos a acreditar que falhamos na dieta por culpa nossa, por não termos força de vontade. “No curto prazo, parece que a dieta funciona, pois você perde peso, embora muitas vezes o peso perdido não seja gordura, mas sim água e músculo. No longo prazo, o corpo entra em estado de alerta, porque seu organismo entende todo esse processo como um grande estresse e aciona o instinto de sobrevivência, diminuindo o metabolismo, armazenando mais gordura e aumentando os desejos por comida. Como resultado, você não só recupera o peso, como pode ganhar até mais“.
No entanto, você pode melhorar seus hábitos alimentares sem fazer uma dieta. Uma das estratégias é incluir mais alimentos saudáveis no lugar de excluir itens que já fazem parte do seu dia a dia. “Se você consome muitos industrializados, por exemplo, em vez de cortar esses produtos, o que pode causar frustração, inclua aos poucos mais frutas, verduras e legumes, sempre buscando o prazer de comer, através de receitas que agradem seu paladar”. Desta forma, consequentemente você passará a fazer substituições mais saudáveis e formará novos hábitos alimentares. Essas mudanças podem até levar um tempo para acontecer, mas com certeza são mais consistentes do que uma dieta. É uma reeducação alimentar para a vida toda.
No caso de pessoas que realmente se encontram em estado de sobrepeso e precisam emagrecer, também utiliza uma abordagem comportamental, em vez de focar no emagrecimento. Isso porque, o aumento do peso é consequência de diversos fatores, não só de uma alimentação errada. Por isso, o mais importante é identificar o estilo de vida e a história do paciente, para entender o que pode ter levado ao peso excessivo e, a partir daí, trabalhar cada fator, por isso é importante o acompanhamento de um profissional da saúde. “Quando o indivíduo readquire um relacionamento positivo com a comida e se torna consciente de tudo que está relacionado ao seu aumento de peso, o emagrecimento acontece naturalmente e o corpo volta ao peso de equilíbrio”.

Muitas pessoas desejam emagrecer por fatores externos, sem uma real necessidade para tal. Por isso, um ponto essencial trabalhado em consultório é fazer essa reflexão junto com o paciente, para entender os reais motivos para a perda de peso, quando não há obesidade. “É por problemas de saúde ou só para se encaixar nos padrões de beleza atuais? Você quer se cuidar ou apenas se adequar ao peso que os outros acham que você deveria ter?”, são algumas das reflexões propostas pelo nutricionista.

Os objetivos dessa abordagem comportamental, é fazer com que o indivíduo faça as pazes com a comida, recupere a conexão com o corpo e promova mudanças para a vida inteira, através de uma alimentação saudável, porém consciente e sem tantas proibições, que respeite seus sentidos físicos e psicológicos. Desta forma, é muito mais fácil adquirir um peso ideal (o seu ideal, não aquele que a mídia promove), que se manterá por toda a vida.
Saúde!

Até a próxima semana
Abraços de Luz

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