Por: A Tribuna
04/06/2020
20:06

A relação da atleta de Amparo, Larissa Sigrist Silva com a ginástica rítmica (GR) começou quando ela tinha apenas seis anos de idade. Os treinos promovidos pela Secretaria de Esportes e Lazer da Prefeitura de Amparo aconteciam no Ginásio Municipal de Esportes (Bolão), no Jardim Camandocaia, e eram orientados pela então professora Fernanda Pizza.

A dedicação ao esporte levou a pequena atleta da equipe amparense a conhecer várias cidades e também a ganhar medalhas. As conquistas foram expressivas. Campeonatos promovidos pela Federação Paulista de Ginástica (FPG), o Troféu GR Brasil – Ginástica Brasil, o Troféu São Paulo e várias outras competições tiveram Larissa no pódio. Quando a equipe de GR de Amparo teve dificuldades para treinar, Larissa passou a realizar seus treinos na Academia Ponto da Dança, da professora Katia Bueno Cerezer, o que lhe rendeu um bolsa para praticar ballet e aprimorar ainda mais sua performance na GR. A dedicação máxima ao esporte era evidente, porém quando tinha 13 anos, no final do ano de 2018, um diagnóstico médico mudou completamente o seu futuro.

Nos primeiros dias, começou a sentir uma pequena dor na perna esquerda. Num primeiro momento, pensou que a dor seria provocada pelo esforço nos treinos da GR e pelas aulas de ballet. A dor foi aumentando e começou a incomodar muito. A perna inchou e, por isso, dobrá-la e andar se tornava algo impossível de fazer. Preocupados com a situação da filha, os pais da Larissa procuraram ajuda médica. Os primeiros diagnósticos foram os mais variados possíveis e iam desde hematomas internos, talvez provocados pelos treinos esportivos, até artrite. Porém, após passar por cinco médicos num prazo de 30 dias, um ortopedista da Santa Casa Anna Cintra, após analisar uma ressonância, decidiu encaminhar a jovem para o Instituto Boldrini, em Campinas.

Em Campinas, no final de 2018, e pouco mais de 30 dias após as primeiras dores, Larissa passou por novos exames, que diagnosticaram um tumor na tíbia esquerda – a osteossarcoma. Os pais da jovem foram alertados sobre a gravidade da doença e, imediatamente, o tratamento teve início com a realização de sessões de quimioterapia para posterior cirurgia. Num primeiro momento, o tamanho do tumor foi reduzido consideravelmente, o que deu esperança a todos em relação à cura. Mas, em abril de 2019, na cirurgia, os médicos verificaram que a doença tinha também comprometido as veias e a artéria da perna, restando como única alternativa a amputação. O drama da jovem ginasta de Amparo não se encerrou após a cirurgia. Em agosto do ano passado, ela necessitou realizar uma cirurgia no pulmão para a retirada de metástase. Ao todo, foram 19 sessões de quimioterapia até a recuperação total.

Nova vida

A essa altura é até de se esperar que Larissa tenha se deprimido ao extremo, porém não é isso que aparenta hoje, aos 15 anos. Logo após ter a perna amputada, e ainda no hospital, ela recebeu a visita de uma atleta competidora da prova de Três Tambores (hipismo) e que leva uma vida normal. A visita foi motivo para pensar de forma positiva e acreditar que a vida continuava. Questionada por A Tribuna sobre esse momento, Larissa resumiu seu sentimento na seguinte frase: “Fiquei feliz, pois fiquei viva”, disse.

A nadadora campeã parapan-americana Camille Rodrigues, que participa da abertura do programa Fantástico, e outras bailarinas e atletas que usam próteses servem de inspiração para a jovem de Amparo, demonstrando que a vida continua. Ela diz que constantemente procura informações sobre o assunto na internet e que as conquistas dessas pessoas a motivam cada vez mais.

Larissa é aluna da Escola Estadual Noedir Mazzini, no Pinheirinho. Desde que saiu do hospital, Larissa ainda não voltou para a escola; quando estava para voltar, teve que ficar em casa, mas devido à suspensão das aulas causada pela Covid-19. Para se locomover, usa muletas. Contam os seus pais que, em casa, ela descarta as muletas e consegue saltar usando uma perna só. Para eles (pais), isso ocorre pela facilidade e mobilidade obtidas por Larissa nos treinos da ginástica rítmica.

O sonho

Logo que deixou o Instituto Boldrini, Larissa foi colocada numa fila para receber uma prótese. Porém, até o momento, a jovem não tem expectativa de quando o equipamento será entregue. Hoje, motivada pelos pais, ela busca ajuda para comprar uma prótese. Pelo fato de ser adolescente e conseguir ter maior mobilidade nos movimentos, um primeiro orçamento indicou que a prótese ideal custa em torno de R$ 45 mil, valor muito acima das possibilidades financeiras da jovem Larissa.

 

Larissa está promovendo uma campanha para conseguir adquirir a prótese. Com a ajuda de amigos, anônimos, empresas e colaboradores, a jovem está realizando uma campanha. A família está realizando rifas. Doações de prendas e objetos que podem ser rifados também acontecem todos os dias. Na internet, é possível colaborar com recursos, pelo https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajuda-pra-minha-protese-larissa-sigrist-silva. Em duas semanas, a jovem já conseguiu arrecadar 30% do total necessário. O seu sonho é voltar a andar.

 


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