Por: Marcelo Henrique
29/11/2021
08:00

Faleceu às 4h (madrugada) de hoje, dia 29/11, aos 90 anos de idade, no Hospital Vera Cruz, em Campinas/SP, o ex-prefeito de Amparo, engenheiro João Baptista de Campos Cintra.

Nascido em 25 de fevereiro de 1931, em Amparo, era o oitavo filho (num total de dez) do também ex-prefeito de Amparo, engenheiro Constâncio Cintra, e da senhora Clotilde Barros do Amaral Cintra, ambos falecidos.

Deixa viúva a senhora Beatriz Galvao De Campos Cintra, com quem foi casado durante 65 anos. Deixa os filhos Maria Angélica (engenheira civil), Tarcísio (administrador de empresas e ex-secretário municipal na Prefeitura de Campinas), Maria Regina (engenheira civil), Renata Maria (doutora em Nutrição) – que é gêmea de Maria Regina –, Luís Fernando (engenheiro civil) e André (médico veterinário), além de Beatriz Maria (engenheira agrônoma, falecida aos 27 anos). São 12 os seus netos: Filipe, Tiago, Maria Carolina, Maria Paula, Maria Júlia, Mariana, Maria Fernanda, João Henrique, Thomaz, Pedro, Camilla e Leonardo, além de quatro bisnetos.

Cursou o chamado Ginasial no Ginásio do Estado de Amparo, de 1943 a 1946. De 1947 a 1949, cursou, em São Paulo, o Colegial no tradicional Colégio São Luís. Formou-se engenheiro agrimensor pela Escola Superior de Agrimensura de Araraquara, com especialização em Gestão de Empresas e Negócios pela Metrocamp (em 2005), bem como MBA na mesma área, também pela Metrocamp (em 2006).

Na década de 50, João Cintra já participava da política local, filiando-se à União Democrática Nacional (UDN).

Era empresário rural desde 1956, tendo, inclusive, presidido o Sindicato Rural de Amparo de 1957 a 1960, sendo reeleito no triênio 1960/1962. Foi fundador da Cooperativa de Cafeicultores de Amparo, bem como incentivador da fundação da Cooperativa Agrária de São Manuel. Em 1963, foi diretor da Corporação Brasileira de Café, além de diretor da Federação das Associações Rurais do Estado de São Paulo – Faresp no triênio 1963/1965.

João Cintra foi eleito vereador de Amparo em 1959 (pela União Democrática Nacional – UDN), renunciando ao mandato para assumir o cargo de vice-prefeito de Amparo em 1962 (sendo prefeito o sr. Antonio Andreta) para o qual foi eleito em disputa direta com o também vereador Antonio Cazalini, que havia disputado pelo PSP, e eleito prefeito de Amparo em 1966 pela Aliança Renovadora Nacional – ARENA, sendo vice-prefeito o dr. Adib Feres Sad. Em razão de mudanças trazidas pela Constituição de 1967, João Cintra foi prefeito nomeado de Amparo de 2 de fevereiro de 1970 a 8 de julho de 1975 (naquela época, os prefeitos das estâncias eram nomeados pelo governador do Estado): o governador Abreu Sodré o manteve no cargo por decreto e, no ano seguinte, o novo governador, Laudo Natel, o manteve no cargo durante os quatro anos que se sucederam. Em 1992, foi novamente eleito prefeito de Amparo, exercendo seu mandato de 1º de janeiro de 1993 a 31 de dezembro de 1996.

Foi presidente do Clube 8 de Setembro, de Amparo, no biênio 1960/1961.

Em 1966, instituiu a Ação Social de Amparo – ASA. Em 1967, fundou a COHAB Bandeirantes, da qual foi presidente do Conselho durante quatro mandatos (de 1971 a 1975 e de 1993 a 1996), bem como, também em 1967, instituiu a Fundação Educacional de Amparo, então mantenedora de cursos superiores e cursos técnicos, atual mantenedora do Colégio Integrado.

Adquiriu o já tradicional Jornal “O Comércio”, permanecendo à frente daquele semanário (hoje extinto) por décadas.

Como prefeito de Amparo, planejou a solução para o problema da água no município; executou todo o projeto, tendo entregue as obras totalmente em 1970. Em julho de 1967, idealizou e fundou o Conselho de Prefeitos das oito Estâncias, tendo sido seu primeiro presidente.

De 1967 a 1973, foi paraninfo de cinco turmas de formandos nos diversos cursos de Amparo. Em 1969, foi escolhido entre os dez melhores prefeitos daquele ano pelo jornal “Tribuna do Interior”, escolha essa que se repetiria dois anos após (em 1971).

Em 1969, promoveu “Amparo capital por um dia”, com a presença do então governador Abreu Sodré e quase todo o Secretariado. Na ocasião, houve despachos com prefeitos e vereadores de toda a região.

Criou, em 4 de junho de 1969, a Guarda Municipal de Amparo (atual Guarda Civil Municipal - GCM).

No período de 1969 a 1974, saneou Amparo com a retificação do Rio Camanducaia e diversos córregos afluentes, com posterior organização das áreas ribeirinhas. Construiu quase 400 casas populares no Jardim Camandocaia, bem como instalou a Faculdade de Ciências e Letras “Plínio Augusto do Amaral” – atual Centro Universitário de Amparo (Unifia).

Em 1970, promoveu o PIEB – Programa Integrado de Educação e Base, experiência pioneira de alfabetização. Desse modo, quando o Governo Federal instituiu o MOBRAL – Movimento Brasileiro de Alfabetização, já estava formada a primeira turma de alfabetização em Amparo, tanto na área urbana quanto na área rural.

Ainda em 1970, participou ativamente do Encontro dos Prefeitos das Estâncias, tendo sido o encarregado de transmitir suas conclusões ao então governador Abreu Sodré, sendo o principal resultado desse encontro a transformação do FUMEST em autarquia. Também em 1970, criou o Distrito Industrial de Amparo e conseguiu a instalação do primeiro Colégio Técnico Oficial da Região, construindo e cedendo ao Estado mais de 1.200m2 de construção, atraindo novas indústrias como a Kadron (atual Magneti Marelli) e a Cifa, bem como a ampliação das já existentes, como a CASP. Nessa época, trouxe mais cinco indústrias para Amparo, que se instalaram em áreas planejadas.

Em 1971, recebeu a Comenda da Legião Joana D’Arc – Soberana Ordem dos Cavaleiros de São Paulo Apóstolo pelos trabalhos realizados em prol da comunidade amparense.

Também em 1971, criou e instalou a Biblioteca Municipal “Carlos Ferreira”, reestruturando-a em 1995, instituindo o “Veja e Leve”.

Em 1972, contratou projeto (já entregue) para tratamento de esgoto de Amparo e totalização de rede da cidade de Amparo e do distrito de Arcadas.

Em 1974, fundou e instalou a Pinacoteca de Artes de Amparo (depois, Pinacoteca Municipal Dr. Constâncio Cintra) e o Salão de Artes de Amparo.

Ainda em 1974, instalou o Museu Histórico e Pedagógico “Bernardino de Campos”.

De 1977 a 1981, foi presidente da Santa Casa Anna Cintra (dois mandatos).

Era conselheiro vitalício do Amparo Athlético Club, do qual foi vice-presidente, bem como conselheiro vitalício do Floresta Atlético Clube, do qual foi presidente durante dois anos. Também foi vice-presidente do Lar dos Velhos de Amparo por mais de dez anos.

Em 1989, recebeu, do Ministério da Indústria e do Comércio, a Medalha de Mérito Cairu pelos relevantes serviços prestados em diversos setores da vida empresarial do País.

Em sua gestão como prefeito de Amparo, de 1993 a 1996, instituiu o Programa Médico da Família, uma atuação então pioneira do município de Amparo, e, entre outras importantes realizações, implantou os enterros gratuitos para os necessitados, benefício esse conseguido graças ao trabalho do então vereador professor Luiz Pereira de Oliveira.

Em 2000, foi candidato a vereador pelo PL, ficando entre os 10 mais votados (havia 17 vagas no Legislativo amparense). Contudo, seu partido elegeu apenas dois vereadores, tendo ficado João Cintra como primeiro suplente.

Era cidadão são-manuelense, através de decreto legislativo da Câmara Municipal de São Manuel.

No dia 1º de abril de 2014, a Câmara Municipal de Amparo aprovou o decreto legislativo nº 522/14, de autoria do então vereador Pedro Camilo Benedetti, que lhe concedeu, merecidamente, o título de cidadão benemérito.

O corpo será velado na Capela Nossa Senhora do Carmo, no Cemitério do Sylvestre, em Amparo. Em seguida, às 16h30, será sepultado no jazigo da família, no Cemitério do Sylvestre.


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