Por: A Tribuna
08/11/2019
16:11

A queda do muro de Berlim completa no sábado, 9 de novembro, 30 anos. A data marca o fim de um dos símbolos da Guerra Fria e também a unificação da Alemanha. A queda do muro ocorreu no dia 9 de novembro de 1989. O Muro de Berlim (Berliner mauer, em alemão) foi o símbolo da Guerra Fria. Construído na forma de um cerco que envolvia toda a parte ocidental da capital alemã, o Muro de Berlim não apenas dividiu a cidade, como também se tornou o ícone da divisão ideológica em dois blocos políticos antagônicos: o bloco ocidental, liderado pelos Estados Unidos, e o bloco oriental (soviético), liderado pela URSS.

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, ocidentais e soviéticos passaram a delimitar o território europeu em “zonas de influência”. Como a Alemanha havia sido libertada do jugo nazista tanto por membros do que seria o “bloco ocidental” (isto é, EUA e Reino Unido, sobretudo) quanto por soviéticos, o território do país foi dividido, criando-se dois novos países: a República Democrática Alemã, pertencente à zona de influência soviética, e a República Federal da Alemanha, que ficou sob a zona de influência ocidental.

O problema é que a capital, Berlim, ficava na parte oriental, portanto, sob a zona soviética; mas sendo capital, uma parte dela também deveria pertencer aos ocidentais, ao bloco dito “capitalista”, e assim foi feito. Todavia, isso gerou uma ameaça para os soviéticos, pois, apesar da divisão, havia um trânsito muito grande de pessoas de um lado para o outro da cidade. Consequentemente, os valores e benesses do “Mundo Capitalista”, como liberdade de consumo e de expressão, acesso a produtos industriais e culturais, etc., acabavam por “contaminar” o enrijecido padrão de vida imposto pelo comunismo soviético no lado oriental da cidade.

A decisão de erguer o Muro de Berlim partiu dos então líderes da URSS e Alemanha Oriental, respectivamente: Nikita Kruschev e Walter Ulbricht. O objetivo dos dois líderes era isolar Berlim Oriental a fim de que não houvesse mais contato entre as duas realidades. Contudo, como dito, Berlim ficava na parte oriental da Alemanha. Então, com o Muro erguido, a única forma de acesso à parte ocidental da cidade ficou sendo a aérea, por meio do aeroporto.

O muro passou a ser erguido em 1961, mais precisamente na madrugada de 12 para 13 de agosto daquele ano, quando soldados da Alemanha Oriental começaram a divisão entre os dois lados da cidade utilizando estacas e arame farpado. Dois anos depois, toda a sua estrutura já estava pronta, incluindo as guaritas espalhadas por vários pontos, que passaram a ser ocupadas com soldados fortemente armados, com ordem de metralhar quem tentasse transpor as fronteiras do muro.

 Do Muro de Berlim faziam parte 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas eletrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda. Este muro era patrulhado por militares da Alemanha Oriental Socialista com ordens de atirar para matar (a célebre Schießbefehl ou "Ordem 101") os que tentassem escapar, o que provocou a separação de dezenas de milhares de famílias berlinenses.

Queda do Muro de Berlim em 9 de novembro de 1989

A partir da segunda metade da década de 1980, a URSS passou a sofrer um colapso em seu modelo político-econômico. As reformas sugeridas pelo então líder, Mikhail Gorbachev, conhecidas como Perestroika e Glasnost, a partir de 1986, não tiveram êxito em seu objetivo, que era tornar mais flexível a economia soviética sem, contudo, abandonar o comunismo e o modelo de controle estatal da economia e das relações sociais.

As medidas de Gorbachev, resultando em fracasso, acabaram por estimular uma progressiva e rápida fragmentação da União Soviética. Muitas nações atreladas ao Poder Central de Moscou (capital da Rússia e centro do Poder Soviético), desde os anos 1920, aproveitaram tal ocasião para romper com a URSS. Dessa ruptura, foi formada a CEI – Comunidade dos Estados Independentes.

O reflexo da queda do “império soviético” atingiu também suas zonas de influência, inclusive a Alemanha Oriental.

O Muro de Berlim começou a ser derrubado na noite de 9 de novembro de 1989, depois de 28 anos de existência. O evento é conhecido como a queda do muro. Antes da sua queda, houve grandes manifestações em que, entre outras coisas, se pedia a liberdade de viajar. Além disto, houve um enorme fluxo de refugiados ao Ocidente, pelas embaixadas da RFA, principalmente em Praga e Varsóvia, e pela fronteira recém-aberta entre a Hungria e a Áustria, perto do lago de Neusiedl.

O impulso decisivo para a queda do muro foi um mal-entendido entre o Governo da RDA. Na tarde do dia 9 de novembro, houve uma conferência de imprensa, transmitida ao vivo na televisão alemã-oriental. Günter Schabowski, membro do Politburo do SED, anunciou uma decisão do Conselho dos ministros de abolir imediatamente e completamente. Pouco depois desse anúncio, houve notícias sobre a abertura do Muro na Rádio e Televisão ocidental. Milhares de pessoas marcharam aos postos fronteiriços e pediram a abertura da fronteira. Nesta altura, nem as unidades militares, nem as unidades de controle de passaportes haviam sido instruídas. Por causa da força da multidão, e porque os guardas da fronteira não sabiam o que fazer, a fronteira abriu-se no posto de Bornholmer Strasse, às 23 h, mais tarde em outras partes do centro de Berlim, e na fronteira ocidental. Muitas pessoas viram a abertura da fronteira na televisão e pouco depois marcharam à fronteira. Como muitas pessoas já dormiam quando a fronteira se abriu, na manhã do dia 10 de novembro havia grande multidões de pessoas querendo passar pela fronteira.

Os cidadãos da RDA foram recebidos com grande euforia em Berlim Ocidental. Muitas boates perto do muro espontaneamente serviram cerveja gratuita, houve uma grande celebração na Rua Kurfürstendamm, e pessoas que nunca se tinham visto antes cumprimentavam-se. Cidadãos de Berlim Ocidental subiram ao muro e passaram para as Portas de Brandenburgo, que até então não eram acessíveis aos ocidentais. O Bundestag interrompeu as discussões sobre o orçamento, e os deputados espontaneamente cantaram o Hino Nacional da Alemanha.

 Esta decisão deveria ser publicada só no dia seguinte para anteriormente informar todas as agências governamentais.

 


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