Por: Congresso em Foco
05/11/2019
21:11

A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) se emocionou ao fazer um discurso, nesta terça-feira (5), na tribuna da Câmara (veja o vídeo acima). A ex-líder do governo no Congresso reclamou dos ataques e das ameaças que tem recebido nas redes sociais, disse que não se intimida e que vai identificar e levar à Justiça a “gangue” que faz campanha difamatória contra ela. Ela também relatou que tanto ela quanto seus filhos já foram ameaçados de morte.

“Essa moça tem dois filhos: uma jovem e um adolescente, de 11 anos. Nenhum de vocês sabe qual é o rosto dos meus filhos, por quê? Porque eles também já foram ameaçados de morte”, disse. “E o meu mais novo, semana passada, me disse: 'Mãe, por que estão chamando a senhora de porca na internet?' 'Por que estão chamando a senhora de Pig na internet?' Não foi a senhora que ajudou tanto esse governo?”. Nesse momento a deputada chorou.

“E eu vou dizer para vocês: essas lágrimas não são por mim, porque, como vocês bem puderam ouvir, a minha história é de uma guerreira. Mas o meu filho, de 11 anos, recebendo montagens minhas, com o meu rosto e o corpo de uma prostituta, com o meu rosto e um corpo deformado, nu, isso eu não vou admitir!”

Ela acrescentou: “E não vai existir homem com mandato, sem mandato, seja o que for, deputado, senador, presidente — não me interessa! —, não vai existir homem, nem mulher que vai fazer isso com a minha família. É pela minha família e é pela família de todos vocês, porque se nós não pararmos essa esquizofrenia, essa loucura, essa gangue, não teremos como reconstruir este Brasil, não teremos como reconstruir este país”.

Integrante da tropa de choque do governo, Joice foi destituída da liderança depois de apoiar a manutenção do deputado Delegado Waldir (GO), contrariando o presidente, que intercedeu para que seu filho Eduardo Bolsonaro (SP) assumisse o posto. Eduardo venceu a disputa dias depois, em meio a uma guerra de listas de apoio. Joice afirmou que vai processar o filho do presidente na Justiça, além de apresentar uma representação contra ele no Conselho de Ética por causa de ataques dirigidos por ele contra ela.

Desde que deixou a liderança, a parlamentar passou a ser chamada de porca e Pig nas redes sociais por grupos ligados à família Bolsonaro. Também foram espalhadas montagens contra ela. “Foi a primeira vez que eu me senti vítima do mais sujo machismo”, disse Joice sobre os xingamentos.

A deputada ressaltou que nunca sofreu esse tipo de tratamento por parte da esquerda nem mesmo dos ex-presidentes Lula e Dilma, contra os quais fazia acusações e fortes críticas como jornalista. Joice disse que a República não pode virar uma “filiocracia” e que Bolsonaro precisa reconhecer seus erros.

“Aqui os colegas de esquerda sabem o quanto eu lutei contra o Lula. Nós nos processamos mutuamente. Eu o processei e ele me processou. Mas nem aqueles que faziam fake news, da esquerda fizeram algo parecido com o que estão fazendo, esses que se dizem de direita, porque não são. (...) Isso não é democracia, meus caros; é autoritarismo do mais sujo, do mais baixo!”

Joice contou que recebeu uma ameaça de morte, por e-mail, antes de dar entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, dias após ter deixado a liderança do governo. Ela cobrou reconhecimento por parte do governo à sua lealdade e ao seu empenho na aprovação da reforma da Previdência.

“Meu crime foi discordar de ele se apequenar. Eu discordei de ele se apequenar. Se o presidente olha para mim e fala: ‘Carrega essa arma e dispara na minha cabeça’. Eu vou dizer: Eu não vou fazer isso. "Mas eu estou mandando". Mas eu vou não fazer. Foi mais ou menos a mesma coisa. O presidente da República, o homem mais importante, o mais poderoso deste país não pode virar lobista de quem quer que seja, de partido que seja. Não pode!”

Segundo a deputada, o governo se mantém de pé graças aos ministros Paulo Guedes, da Economia, e Sergio Moro, da Justiça e Segurança Pública. “Quem são os pilares do nosso governo? Paulo Guedes, superministro; Sérgio Moro, superministro. Eles são os nossos pilares. Eu digo, sem medo de errar, que sem eles o governo não fica em pé. E essa é uma verdade.”

Vários parlamentares prestaram solidariedade à deputada, inclusive da oposição, como Alice Portugal (PCdoB-BA), que disse que Joice não pode ser atacada como mulher.


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