Por: A Tribuna
30/04/2020
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A fim da Guerra do Vietnã completa hoje, 30 de abril, 45 anos. Essa guerra marcou a vitória do Vietnã sobre a mais poderosa potência do mundo do Século XX, os Estados Unidos.  A Guerra do Vietnã foi um conflito armado ocorrido no Sudeste Asiático entre 1955 e 30 de abril de 1975. A guerra colocou em confronto, de um lado, a República do Vietnã (Vietnã do Sul) e os Estados Unidos, com participação efetiva, porém secundária, da Coreia do Sul, da Austrália e da Nova Zelândia; e, de outro, a República Democrática do Vietnã (Vietnã do Norte) e a Frente Nacional para a Libertação do Vietname (FNL). A China, a Coreia do Norte e, principalmente, a União Soviética prestaram apoio logístico ao Vietnã do Norte, mas não se envolveram efetivamente no conflito.

Em 1965, os Estados Unidos enviaram tropas para sustentar o Governo do Vietnã do Sul, que se mostrava incapaz de debelar o movimento insurgente de nacionalistas e comunistas, que se haviam juntado na Frente Nacional para a Libertação do Vietname (FNL). Entretanto, apesar de seu imenso poder militar e econômico, os norte-americanos falharam em seus objetivos, sendo obrigados a se retirarem do país em 1973 e dois anos depois o Vietnã foi reunificado sob governo socialista, tornando-se, oficialmente, em 1976, a República Socialista do Vietnã.

Na guerra, aproximadamente três a quatro milhões de vietnamitas dos dois lados morreram, além de outros dois milhões de cambojanos e laocianos, arrastados para a guerra com a propagação do conflito, e cerca de 58 mil soldados dos Estados Unidos.

Durante o conflito, as tropas do exército da Vietnã do Norte travaram uma guerra convencional contra as tropas norte-americanas e sul-vietnamitas, e as milícias da FNL, menos equipadas e treinadas, lutaram uma guerra de guerrilha na região, usando as selvas do Vietnã, espalhando armadilhas mortais aos soldados inimigos, enquanto os Estados Unidos se armaram de grande poder de fogo, em artilharia e aviação de combate para destruir as bases inimigas e impedir suas ofensivas.

À exceção das linhas de combate ao redor dos perímetros fortificados de bases e campos militares, não houve nesta guerra a formação clássica de linhas de frente e as operações aconteceram em zonas delimitadas; missões de busca e destruição por parte das forças norte-americanas, com o uso de bombardeios maciços, com armas químicas desfolhantes e sabotagens da guerrilha na retaguarda das zonas urbanas.

Travada com uma grande cobertura diária dos meios de comunicação, a guerra levou a uma forte oposição e divisão da sociedade norte-americana, que gerou os Acordos de Paz de Paris, em 1973, causando a retirada das tropas do país do conflito. Ela prosseguiu com a luta entre o norte e o sul do Vietnã dividido, terminando em abril de 1975, com a invasão e ocupação comunista de Saigon, então a capital do Vietnã do Sul e a rendição total do exército sul-vietnamita.

Para os Estados Unidos, a Guerra do Vietnã resultou na maior confrontação armada em que o país já se viu envolvido, e a derrota provocou a 'Síndrome do Vietnã' em seus cidadãos e sua sociedade, causando profundos reflexos na sua cultura, na indústria cinematográfica e grande mudança na sua política exterior, até a eleição de Ronald Reagan, em 1980.

Saigon rende-se aos comunistas

A partida dos americanos do Vietnã do Sul nos últimos dias da guerra foi tão desastrosa quanto a participação do País na guerra. Até poucos dias da tomada de Saigon pelos comunistas, o então presidente americano Gerald Ford estava indeciso quanto à retirada dos americanos da capital do Vietnã do Sul. Ford, finalmente, ordenou a evacuação de emergência com helicópteros depois que o aeroporto foi fechado por ataques da artilharia.

A operação, a maior do tipo na história dos Estados Unidos, terminou na noite do dia 29 de abril de 1975. Levou 19 horas, cinco vezes mais que o Pentágono estimava. Cerca de mil americanos e mais de cinco mil vietnamistas foram levados por ar até porta-aviões no sul do Mar da China. Um número muito maior de pessoas fugiu do país em barcos pequenos.

Ao fim da manhã do dia 30 de abril de 1975, as tropas do Exército Popular do Vietnã venceram toda a resistência em Saigon, capturando rapidamente edifícios e instalações chaves da cidade. Um tanque arrebentou os portões do Palácio Presidencial às 11h30, hora local, e uma bandeira da Frente Nacional de Libertação foi hasteada sobre ele. O sucessor do presidente Nguyen Van Thieu, que deixou o país no dia 21 de abril, o general Duong Van Minh, tentou fazer uma rendição formal, mas lhe foi dito que nada mais havia pelo que se pudesse render. Minh, então, deu seu último comando, ordenando a rendição geral de todas as tropas sul-vietnamitas.

A guerra do Vietnã chegava ao fim depois de 14 anos de sangue, sofrimento e atrocidades.

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Um bombardeiro norte-americano B-52 bombardeando cidades no Vietnã do Norte durante a Operação Linebacker II, em dezembro de 1972. Esta foi a última grande ofensiva americana na guerra, antes que o Acordo de Paz de Paris fosse assinado.

 

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Helicópteros americanos metralham uma linha de árvores para cobrir o avanço das tropas terrestres sul-vietnamitas em um ataque a um acampamento vietcongue, 18 quilômetros ao norte de Tay Ninh, a noroeste de Saigon, perto da fronteira com o Camboja, no Vietnã, em março de 1965. (AP Photo / Horst Faas)
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Nguyen Ngoc Loan Geral, chefe da polícia nacional sul-vietnamita, dispara sua pistola na cabeça do suspeito  Nguyen Van Lem em uma rua de Saigon, em 1 de fevereiro de 1968. (AP Photo / Eddie Adams)

 


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