Por: Ariovaldo Izac
10/12/2019
08:30

O 28 de novembro passado marcou o terceiro ano da morte de Mário Sérgio Pontes de Paiva, o Vesgo, no acidente de avião que vitimou a delegação da Chapecoense, na Colômbia. Morreu aquele que, enquanto boleiro, olhava para um lado e tocava a bola para o outro. Aquele que, enquanto treinador, não paparicava boleiro. No seu time tinha camisa apenas aqueles que cumpriam regiamente as determinações.

Como comentarista de televisão, não tinha papas na língua. Como ‘sacava’ futebol como poucos, falava aquilo que pensava. Em 1994 corajosamente falou que a Seleção Brasileira entrava em campo com dez jogadores, pelo fato de o volante Dunga ter sido escalado. Dizia que o então atleta já não tinha vigor físico para desarme, enquanto no aspecto técnico citava frequentemente sobre as limitações dele.

Exagero ou não, Dunga levantou o caneco como capitão do Brasil naquela Copa do Mundo nos Estados Unidos. Nem por isso Mário Sérgio diminuiu a capacidade de observação sobre o ex-volante.

No Flamengo a partir de 1969, Mário Sérgio já driblava e lançava. No Vitória da Bahia deixava companheiros na cara do gol, e também fazia os seus golzinhos. E isso se repetiu no Fluminense, Botafogo (RJ), São Paulo, Inter (RS), Ponte Preta, Grêmio e Palmeiras, sempre com a camisa 11 e desempenhando a função de falso ponteiro-esquerdo.

Três passagens são marcantes na carreira dele. Em 1979, quando jogava no São Paulo, ganhou apelido de ‘rei do gatilho’. Intolerante e imprudente, sacou o seu revólver e deu alguns tiros para o alto, para assustar torcedores do São José, no Vale do Paraíba, que se manifestavam na saída da delegação são-paulina do Estádio Martins Pereira.

No Grêmio portoalegrense, trazido pelo treinador Valdir Espinosa, foi campeão do mundo em 1983, na vitória por 2 a 1 sobre o Hamburgo, no Japão. No Palmeiras foi flagrado em exame antidoping e ficou suspenso durante seis meses. Ainda em 1983, contratado pela Ponte Preta, jogou ao lado dos talentosos Dicá e Jorge Mendonça, oscilando bastante.

Mário Sérgio ainda enveredou para a carreira de treinador. Estudioso e uma bagagem extraída de conceituados treinadores recomendavam trajetória brilhante, mas patinou nas passagens por Corinthians e São Paulo. O perfil de comandante enérgico não permitiu que prosperasse na carreira, alongada alternadamente até 2010 no comando do Ceará.


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