Por: Ariovaldo Izac
22/10/2019
09:10

Mistérios da vida levam pessoas do píncaro da glória ao sofrimento. Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, melhor jogador de futebol de todos os tempo, afagado por multidões, atravessa praticamente um década com problemas de saúde, e chega aos 79 anos de idade, neste 23 de outubro, com dificuldade de locomoção, recorrendo ao andador em curto percurso e cadeira de rodas para distâncias maiores.

Cirurgia malsucedida no quadril em 2012 originou acusação de Pelé contra a equipe médica. Depois foi diagnosticado com cálculo renal, cirurgias de próstata e da coluna, até que em abril passado, ainda em Paris (FRA), uma infecção urinária provocou internação, com complemento do tratamento no Hospital Albert Einsten.

Desalinhamento em família se sucederam em três casamentos, prisão do filho Edinho - condenado por lavagem de dinheiro e associação ao tráfico de drogas -, e reconhecimento de paternidade da filha Sandra Regina apenas na Justiça, após exame de DNA. E sequer atendeu ao pedido dela para visita, quando o câncer atingiu estágio avançado. Ela, ainda no mandato de deputada estadual, morreu em 2006.

O Pelé da glória foi protagonista do primeiro título mundial da Seleção Brasileira em 1958, quando sequer havia completado 18 anos de idade. Por tê-lo no elenco, o Santos lucrou com altas cotas financeiras em excursões ao exterior na década de 60, quando ele fez dupla de área com Coutinho e posteriormente Toninho Guerreiro, período da conquista do bicampeonato mundial de clubes.

Após sagrar-se tricampeão do mundo no México, em 1970, surpreendeu com a decisão de não disputar a Copa de 1974, quando ainda encantava como cabeceador, dribles, arrancadas, e capacidade ímpar para enfrentar goleiros. Depois decidiu encerrar a carreira em jogo contra a Ponte Preta, no Estádio da Vila Belmiro. No entanto, seduzido por proposta tentadora do incipiente futebol dos Estados Unidos, voltou a jogar. E isso se estendeu por quatro anos.

Ao sair definitivamente de cena, Pelé atingiu a insuperável marca de 1282 gols, foi transformado em garoto propaganda de conceituadas empresas, e ministro dos Esportes em pasta criada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Na ocasião, ao denunciar regime de escravatura no futebol, foi incentivador da criação da Lei Pelé, que, segundo ele, representaria a 'carta de alforria' a jogador de futebol.

 


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