Por: Ariovaldo Izac
01/10/2019
12:00

Se hoje treinadores são impiedosamente demitidos, outrora o dirigente não se influenciava por correntes externas, e dava apoio ao profissional até o limite. Afora isso, sem verbas publicitárias e da televisão, também sabia gerir finanças com receita de bilheteria e respaldo na outrora lei do passe, que abastecia os cofres nas vendas de passes de jogadores.

Exemplo de sobrexistência sólida de clube até os anos 80 foi o Juventus, com imponente sede administrativa de cinco mil metros quadrados de área construída, distribuída em seis pavimentos. Ela, o complexo poliesportivo e estádio ficam na zona oeste de São Paulo. O Conde Rodolpho Crespi - popularmente conhecido por Rua Javari -, sequer comporta dez mil pessoas. E nem precisa ser maior, pois apenas as costumeiras testemunhas vão aos jogos.

A inigualável marca de 137 mil associados, alcançada até meados da década de 80, era formada por torcedores de grandes clubes paulistas, que se valiam da ótima localização. Se à época o quadro social ajudava a abastecer o deficitário departamento de futebol, hoje 'piscineiros' migraram para entretenimento em condomínios residenciais, casas de campo, praias, e assim provocaram esvaziamento no fichário de cadastros. E isso se aplica, por extensão, aos demais clubes.

Outrora presidido pelo saudoso José Ferreira Pinto, o Zé da Farmácia, o Juventus tinha influência em decisões do Conselho Arbitral da Federação Paulista de Futebol, com reflexo benéfico quando da iminencia de rebaixamento. Apesar disso, nas modestas montagens de suas equipes, o Juventus surprendia grandes clubes, e por isso foi identificado como Moleque Travesso. Lembram-se de Ataliba? Foi um ponteiro-direito catimbeiro, veloz e imprevisível. Tanto perdia gols feitos, como também marcava outros de raríssima beleza. O clube foi campeão da Taça de Prata de 1983 - equivalente à série B do Brasileiro -, ao ganhar do CSA por 1 a 0 no Estádio do Parque São Jorge, com Candinho como técnico.

O Juventus foi fundado em 20 de abril de 1924 por funcionários do Contonifício Rodolpho Crespi com o nome Extra São Paulo. Em 1928 foi chamado de Contonifício Rodolpho Crespi Futebol Clube. Só em 1930 se transformou em Clube Atlético Juventus, campeão do Campeonato Amador de São Paulo de 1934. O clube disputou o último Campeonato Paulista da Série A2.

 

 

 


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