Por: A Tribuna
03/09/2019
17:09

O livro da Sra. Leandro Dupré (Maria José Dupré) mereceu virar roteiro de novela por quatro vezes. A primeira versão de "Éramos Seis" foi exibida pela Record em 1958, com dois capítulos semanais. No ano de 1967, foi a vez da extinta TV Tupi encenar a história, tendo no elenco Cleide Yáconis, Sílvio Rocha, Diná Lisboa, Plínio Marcos e Isabel Cristina, entre outros atores.

Dez anos depois, Sílvio de Abreu e Rubens Ewald Filho escreveram outro roteiro em que os atores Gianfrancesco Guarnieri, Carlos Alberto Riccelli, Nicete Bruno, Carlos Augusto Strazzer, Maria Izabel de Lizandra, Ewerton de Castro, Georgia Gomide, Paulo Figueiredo e Flávio Galvão interpretaram os personagens principais.

No ano de 1994, o SBT resolveu colocar a história mais uma vez no ar. Com uma produção caprichada, a história colocou a emissora de Sílvio Santos de vez no mercado da teledramaturgia. A reconstituição da capital paulista do início do Século XX, bem como o figurino de todos os personagens, foi espetacular. A atriz Irene Ravache voltava à televisão depois de ficar seis anos fora das telas e deu vida à doce e sofrida Lola.

Mas a quinta edição da trama está nas mãos da Rede Globo e a emissora já começou a gravar a nova versão de “Éramos Seis”. Desta vez, a escolhida para interpretar Dona Lola foi Glória Pires. As comparações com Irene Ravache serão inevitáveis.

Quanto custa o sonho da casa própria? Para além dos juros altíssimos do financiamento bancário de seu primeiro bem imobiliário, o casarão do casal Lola e Júlio Lemos (Antonio Calloni) na Avenida Angélica, em São Paulo, lhes custa muito mais do que podem calcular. Júlio e Lola têm uma vida financeira limitada e, apesar do grande amor que sentem um pelo outro, entram em conflito por sonharem juntos sonhos diferentes. Enquanto, para ela, a casa é a alma da família, ficar rico é a principal ambição do marido.

A próxima novela das seis está sendo escrita por Angela Chaves, com direção artística de Carlos Araújo, é dividida em três fases (décadas de 1920, 1930 e, por fim, 1940) e apresenta a história de uma grande família cuja matriarca luta para que se mantenha unida frente às dificuldades sociais e econômicas do início do Século XX. 

As gravações começaram em meados de julho, em São Paulo, cidade onde se passa a maior parte da história, e seguiram para Santos e Campinas, onde foram gravadas cenas na praia e em uma estação de trem, respectivamente. “Essas externas onde são recriados ambientes do passado são importantes para que equipe e elenco entrem em sintonia com a trama. Em cada um dos lugares por onde passamos, havia elementos que remetiam àquele contexto, como uma casa construída em 1922 e um trem Maria Fumaça”, comenta o diretor.

Lola e Júlio têm quatro filhos: Carlos (Xande Valois/Danilo Mesquita), o mais velho e mais responsável, muito educado, prestativo e bom aluno, ele é motivo de orgulho para os pais; Alfredo (Pedro Sol/Nicolas Prattes), que é o oposto de Carlos, vai mal na escola, é o pivô de confusões em casa e com os vizinhos, e tem raiva da perfeição do irmão, com quem vive em pé de guerra; Isabel (Maju Lima/Giullia Buscacio), determinada e independente e, por ser a única mulher, é o xodó do pai, que tende a fazer as suas vontades; e Julinho (Davi de Oliveira/André Luiz Frambach), o mais novo, carinhoso com todos, principalmente com a mãe, e desde criança demonstra habilidade para lidar com dinheiro.

Lola é responsável pela educação dos quatro e pela ordem da casa, onde conta com a ajuda de Durvalina (Virgínia Rosa). Mas também na vizinhança ela tem amizades que a ajudam a superar pequenos percalços do dia a dia, como Afonso (Cássio Gabus Mendes), dono do armazém, com quem vira e mexe compra fiado. Ele é casado com Shirley (Barbara Reis), uma mulher amargurada por conta de acontecimentos de seu passado. Ela é mãe de Inês (Gabriella Saraivah/Carol Macedo), criada por Afonso como filha. Carlos é apaixonado pela garota, e se Lola e Afonso acham graça do primeiro romance de seu primogênito, Shirley se incomoda e faz o que pode para que não fiquem juntos.

Além de Afonso, Lola conta, ainda, com a parceria de Genu (Kelzy Ecard), sua vizinha. Sempre atenta a todos os acontecimentos do bairro e de seus moradores, ela é esposa de Virgulino (Kiko Mascarenhas) e mantém o marido em rédea curta. Eles são pais de Lúcio (Arthur Gama/Jhona Burjack) e Lili (Bruna Negendank/Triz Pariz), amigos dos filhos de Lola e Júlio desde a infância. Embora Genu goste mesmo é de uma fofoca, demonstra um carinho verdadeiro pela matriarca dos Lemos.

Enquanto Lola “segura as pontas” no dia a dia da Avenida Angélica, Júlio, como era comum na época, é o principal responsável pelo provento que mantém as contas pagas. Ele trabalha em uma loja de tecidos e passa o dia fora. Esforça-se bastante para receber mensalmente seu ordenado e tem a ambição de ser promovido por Assad (Werner Schünemann), proprietário da loja.

Ao longo de três décadas, acompanhamos a história dessa família, que vive momentos de superação nos quais os laços fortalecidos pelo afeto, amizade e esperança são imprescindíveis para que ela se mantenha unida. “A novela conta a trajetória de Lola para manter a união e a harmonia familiar, mesmo tendo muitas dificuldades o tempo todo. É sobre a força dessa mulher e de sua família, que vive com poucos recursos, mas cercada de afeto”, diz Angela Chaves, autora do remake. Carlos Araújo, diretor artístico, destaca o que o público deve esperar desta versão. “Além de uma dramaturgia mais contemporânea, temos personagens mais complexos, nos quais nos aprofundamos. Lola, embora ainda seja uma personagem de 1920, vem um pouco à frente de seu tempo, tem pensamentos mais atuais”.

Com estreia prevista para este segundo semestre, “Éramos Seis” promete mais uma vez superar as expectativas e fazer bonito na guerra da audiência.

 


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