Por: A Tribuna
18/11/2019
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Nesta segunda feira, 18 de novembro, o Projeto Luz & Sombras presta uma homenagem ao Dia da Consciência Negra com a exibição de uma joia rara do cinema: “Imitação da Vida”. A exibição acontecerá no Auditório da Rádio Cultura FM, localizado na Praça Pádua Salles – Centro, a partir das 19h30.

“Imitação da Vida” tem em seu elenco: Claudette Colbert, Warren William, Rochelle Hudson, Ned Sparks, Louise Beavers, Fredi Washington e Alan Hale. O roteiro é de William Hurlbu baseado no livro “Imitação da Vida”, de Fannie Hurst. Música de Heinz Roemheld, direção de fotografia, Merritt B. Gerstad, direção de arte, Charles D. Hall.Figurino, Eugene Joseff, e direção, John M. Stahl.

O filme é uma produção da Universal Pictures, de 1934. Original em preto e branco.

Sinopse

Beatrice Pullman, branca e viúva, contrata a negra Delilah Johnson para trabalhar como empregada doméstica em sua casa. Elas acabam por montar um negócio juntas e, graças à receita de panquecas de Delilah, ficam ricas depois de dez anos. Entretanto, Beatrice tem problemas com a filha Jessie, quando começam a disputar o coração do mesmo homem - Steve Archer. Já os problemas de Delilah são outros: não bastasse a discriminação de que é vítima, ainda tem de se entender com a filha Peola, que não tolera sua cor e procura passar por branca.

“Imitação da Vida”, dirigido por John M. Stahl, é a primeira e melhor adaptação para a tela do célebre romance de Fannie Hurst, ainda que subestimado e raramente revivido. É um estudo de caráter bem escrito e desenvolvido sobre duas mães, uma branca e outra negra, que mantêm uma amizade duradoura ao longo dos anos, enquanto suas filhas, ambas amigas, tentam enfrentar os fatos da vida, cada uma em particular, tendo problemas com sua imitação da vida.

Este foi provavelmente um dos primeiros filmes que lidou com relações raciais nos Estados Unidos. A maioria dos filmes da época mostrava negros como empregados domésticos e os retratava como "felizes" nesses papéis. Este é um clássico, pois é uma das primeiras vezes que se abordou a questão das relações preto e branco. Em muitos filmes, os negros eram apenas coadjuvantes de segunda linha e não podiam encarar papéis mais “sérios”.

A atriz Loise Beavers fez uma esplêndida atuação no papel de mãe negra, uma mulher que tem um amor especial pela filha que não a aceita por causa da cor da pele. Infelizmente, o Oscar de melhor atriz coadjuvante ainda não havia entrado em vigor em 1934; caso contrário, Beavers teria recebido essa honra por pelo menos uma indicação.

A icônica Claudette Colbert fez uma excelente performance como a viúva Beatrice Pullman e  juntamente com Louise Beavers, Fredi Washington e Rochelle Hudson se reúnem para expor as dificuldades das mulheres que precisavam ingressar no mercado de trabalho, em uma época em que as mulheres deveriam apenas manter as famílias. Além da luta de uma família, que perdeu o patriarca, o público também experimenta através do filme as relações raciais multifacetadas que consumiram pessoas de cor na década de 1930. O filme mostra as construções sociais e nos envolve totalmente na história. Lutando para manter os negócios da casa e do marido, Bea é abençoada com um anjo na forma da governanta Delilah Johnson (Louise Beavers).

Também estão no elenco Ned Sparks, como Elmer Smith; Alan Hale, Marilyn Knowlden, Franklin Pangborn aparecendo brevemente como um dos convidados da festa de Bea e Marcia Mae Jones reconhecível como uma das alunas da escola na parte inicial da história. Warren William, emprestado pela Warner Brothers, interpretando Steve Archer, ofereceu seu desempenho de alto padrão de sofisticação no estilo britânico.

Warren William interpretou Steve Archer, o homem que se apaixona por Bea Pulman sem suspeitar do efeito que causa na jovem Jessie, filha de Bea que também é apaixonada por ele.

O diretor, John Stahl, era de fato um homem de talentos mistos. Ele realizou vários filmes de primeira linha. Esta versão de "Imitação da Vida" é notavelmente clara, forte e sutil e mesmo com a passagem do tempo é uma história que, em sua essência, é bastante inovadora.

Com uma bela fotografia em preto e branco este filme tem ótimas interpretações, imagens poderosas e o resultado são sequências de grande beleza visual e de alto impacto emocional.


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