Por: A Tribuna
19/10/2019
06:00

Neste sábado e domingo, dias 19 e 20 de outubro, às 20h23, estará em cartaz na Casa do Teatro de Amparo “O Auto da Barca do Inferno”, a nova montagem da Cia. Lázara de Teatro, considerada pelo diretor Alexandre Cruz como um cabaré tragicômico alegórico.  A adaptação de Mateus Angelo e Alexandre Cruz para o clássico de Gil Vicente (século XVI) é uma crítica debochada e burlesca à nossa sociedade.

Na montagem,o português arcaico, do texto original, é mantido. Porém, em contraponto, o espetáculo ganha um ritmo ágil e moderno, fazendo com que o texto se aproxime do espectador tão mais acostumado às imagens do que às palavras, convidando-o a compreender de forma sensorial. O texto apresenta as personagens recém-mortas, arraigadas em suas vicissitudes e aos seus pertences mundanos, esperançosos de levá-los consigo ao céu ou inferno. 

São quatro atores interpretando dezesseis personagens de forma extravagante (característica marcante da tragicomédia alegórica), visando salientar uma sociedade de valores superficiais e distantes dos princípios éticos, em que as pessoas se reconhecem mais pelo que aparentam do que pelo que são ou valem, numa crítica mordaz aos jogos de poder em que mais vale a trapaça que a justiça; o proveito do privilégio, do que o bem servir.

Antes de mais nada, "auto" é uma designação genérica para uma peça de pequena representação teatral. Originário na Idade Média, teve inicialmente um  caráter religioso; depois, tornou-se popular para distração do povo. Foi Gil Vicente (1465-c. 1537) que introduziu esse tipo de Teatro em Portugal, com uma trilogia (Auto da Barca "da Glória", "do Inferno" e "do Purgatório"). O "Auto da Barca do Inferno" (c. 1517) representa o juízo final católico de forma satírica e com forte apelo moral.

Valores de duas épocas

Escrita na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, a obra oscila entre os seus valores morais de duas épocas: ao mesmo tempo que há uma severa crítica à sociedade, típica da Idade Moderna, a obra também está religiosamente voltada para a figura de Deus, o que é uma característica medieval. A sátira social é implacável e coloca em prática um lema: "rindo, corrigem-se os defeitos da sociedade". A obra tem, portanto, valor educativo muito forte. A sátira vicentina serve para nos mostrar, tocando nas feridas sociais de seu tempo, que havia um mundo melhor em que todos eram melhores. Mas é um mundo perdido, infelizmente, ou seja, a mensagem final, por trás dos risos, é um tanto pessimista.

No elenco estão: Arminda Riolo, Bianca Bertuzzi, Caio Silva e Giovana Gabriel. A adaptação do texto é de Mateus Angelo e Alexandre Cruz

Cenografia: Ju Pavesi; fotos: Fabiane Bueno; identidade visual: Giovana Gabriel; máscaras: Mary Clair Peron;  sonoplastia, figurinos e direção: Alexandre Cruz

O ingresso para o evento é R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). A casa do Teatro fica na Rua Barão de Campinas, 610, centro. Mais informações: (19) 3808-1732.  


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