Por: A Tribuna
22/11/2019
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Nessa sexta-feira e domingo, dias 22 e 23 de novembro, às 20h23, estará em cartaz na Casa do Teatro de Amparo “O Auto da Barca do Inferno”, a nova montagem da Cia. Lázara de Teatro, considerada pelo diretor Alexandre Cruz como um cabaré tragicômico alegórico.  A adaptação de Mateus Angelo e Alexandre Cruz para o clássico de Gil Vicente (séc. XVI), centra-se numa crítica debochada e burlesca à nossa sociedade.

Na montagem, o português arcaico, do texto original, é mantido. Porém, em contraponto, o espetáculo ganha um ritmo ágil e moderno, fazendo com que o texto se aproxime do espectador tão mais acostumado às imagens do que às palavras, convidando-o a compreender de forma sensorial. O texto apresenta as personagens recém-mortas, arraigadas em suas vicissitudes e aos seus pertences mundanos, esperançosos de levá-los consigo ao Céu ou Inferno.  São quatro atores que interpretam dezesseis personagens de forma extravagante (característica marcante da tragicomédia alegórica), visando salientar uma sociedade de valores superficiais e distantes dos princípios éticos em que as pessoas se reconhecem mais pelo que aparentam do que pelo que são ou valem, numa crítica mordaz aos jogos de poder em que mais vale a trapaça que a justiça; o proveito do privilégio do que o bem servir.

Antes de mais nada, "auto" é uma designação genérica para peça, pequena representação teatral. Originário na Idade Média, tinha de início caráter religioso; depois se tornou popular para distração do povo. Foi Gil Vicente (1465-c. 1537) que introduziu esse tipo de Teatro em Portugal, com uma trilogia (Autos da Barca "da Glória", "do Inferno" e "do Purgatório"). O "Auto da Barca do Inferno" (c. 1517) representa o juízo final católico de forma satírica e com forte apelo moral.

Valores de duas épocas

Escrita na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, a obra oscila entre os seus valores morais de duas épocas: ao mesmo tempo em que há uma severa crítica à sociedade, típica da Idade Moderna, a obra também está religiosamente voltada para a figura de Deus, o que é uma característica medieval. A sátira social é implacável e coloca em prática um lema, que é "rindo, corrigem-se os defeitos da sociedade". A obra tem, portanto, valor educativo muito forte. A sátira vicentina serve para nos mostrar, tocando nas feridas sociais de seu tempo, que havia um mundo melhor, em que todos eram melhores. Mas é um mundo perdido, infelizmente. Ou seja, a mensagem final, por trás dos risos, é um tanto pessimista.

A Casa do Teatro de Amparo fica na Rua Barão de Campinas, 519, centro. Os valores dos ingressos são: R$ 20,00 (inteira) R$ 10,00 (meia). Mais informações: (19) 3808-1732.  


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