Por: A Tribuna
14/11/2019
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De sexta-feira a domingo, dias 15 a 17 de novembro sempre às 20h23, na Casa do Teatro de Amparo, com ingressos a R$ 20,00 (inteira) e R$10 (estudantes e terceira idade), a Cia. Lázara estreia três X Nelson, um tríptico cênico com três personagens femininas de Nelson Rodrigues: Sônia, a pianista de quinze anos brutalmente assassinada, que reconstrói sua morte, e as outras duas mulheres são pseudônimos femininos do autor: Suzana Flag e Myrna. A Casa do Teatro de Amparo fica na Rua Barão de Campinas nº 519, centro de Amparo.

Suzana Flag e Myrna

Flag, Suzana Flag. Esse era o codinome usado por Nelson Rodrigues para assinar alguns folhetins publicados nos jornais de Assis Chateaubriand. Corria a década de 40, e a segunda peça do dramaturgo, "Vestido de Noiva", revolucionava o teatro nacional nas mãos de Ziembinski.

Se "Vestido de Noiva" marcou o início do moderno teatro brasileiro, as intrigas de Suzana Flag bebem de outra fonte. São histórias rocambolescas, cheias de revelações, que apelam mais para os instintos do que para o cérebro. Chamam-se folhetins, e alguns gostam de ressaltar a semelhança com as novelas de TV. O primeiro de Nelson, "Meu Destino É Pecar", foi tamanho sucesso que o autor publicou outro, "Escravas do Amor", em 1944.

É no Diário da Noite, em 1949, que surge o pseudônimo, Myrna. Esta mulher, de duração meteórica, oito meses apenas, causa furor nas páginas do jornal – primeiro no consultório sentimental, “Myrna escreve”, respondendo às cartas de leitores, sobretudo das leitoras, pois Myrna é expert nas questões do coração. E é essa persona que escreve o romance em folhetim A mulher que amou demais, veiculado também no ano de 1949. Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo é uma reunião de algumas das “cartas” desta coluna. Na pele de Myrna e de Suzana Flag, vemos aflorar um escritor que “fisga” seu leitor, sem constrangimento, perambulando tanto pelos caminhos de uma sensibilidade ímpar quanto espreitando o clichê mais banal. É essa a literatura de Nelson Rodrigues – feita de grandes mulheres. Suas personagens femininas são sempre fortes: amam, sofrem, traem, desejam, submetem-se, conquistam ou “se deixam perder”. As mulheres de Nelson dão e são o ritmo, a voz narrativa de sua liturgia.

Suzane Flag e Myrna são vividos pelos atores Caique Costa e Zé Vitor Lima.

Valsa nº 6

A peça Valsa nº 6 foi a décima peça escrita por Nelson Rodrigues em 1951. Foi a irmã do dramaturgo, Dulce Rodrigues, a escolhida para encarnar a personagem única; a direção foi assinada por Madame Morineau.

Sônia, uma menina assassinada aos 15 anos de idade, luta para, entre um delírio e outro, conseguir montar o quebra-cabeça de suas memórias. Os delírios e memórias, a morte, o universo feminino e a violência são peças desse quebra cabeça. 

Na encenação da Cia. Lázara, Sonia é interpretada por  Giovanna Lopes, sua mãe Talita da Silva e se duplicando nos papéis do velho tarado Dr. Junqueira e Nelson Rodrigues interpretados por Caíque Costa.

Nessa exploração de uma intimidade, o lirismo assume papel importantíssimo. Se o Drama tradicional busca purificar-se das marcas de outros gêneros, Nelson Rodrigues corajosamente assumia a poesia em sua escrita. Sonia relaciona-se com o mundo à maneira de um Eu Lírico, associando livremente, projetando, imaginando, sentindo com intensidade. O trunfo é que tal característica está pronta a colocar-se a serviço da teatralidade, não se encerrando em si mesma. Nelson escreveu uma peça de teatro que gera no espectador impressão semelhante à de quem escuta a Valsa nº 6, de Chopin.

A recusa do ideal puro de Drama, a contaminação da dramaturgia por outros gêneros textuais e o desejo do teatro de “antropofagizar” conquistas de outras artes: tudo isso é característica das vanguardas históricas. Adaptação e direção, figurino Alexandre Cruz. Identidade visual: Giovana Gabriel.

Mais informações: (19) 3808-1732.


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