Por: Marcelo Henrique
25/11/2019
16:11

Conversando, recentemente, com um amigo, comentávamos sobre como perderam, infelizmente, o devido prestígio e valor os títulos outorgados por parte das Casas Legislativas, sobretudo os títulos de cidadão benemérito, comprovando que, salvo melhor juízo, os senhores legisladores desconhecem o real significado de “benemerência” quando avaliam e avalizam suas escolhas. Agora, funcionaria assim: “Bom, eu quero homenagear fulano, mas ele já nasceu aqui; então, vou propor que ele seja agraciado com o título de cidadão benemérito”. Isso quando não ocorre um “lobby” por parte do próprio candidato a “benemérito”, forçando a barra, politicamente, para a outorga do título de benemerência que, a rigor, seria imerecido.

Amparo, a exemplo de outras tantas cidades, já cometeu, no passado, excessos risíveis nesse sentido. Certa feita, uma autoridade religiosa nem havia pisado em terras amparenses, recém-nomeada que era, e já ganhava os títulos de cidadão amparense e cidadão benemérito (agraciava-se, portanto, o cargo, não a pessoa). Noutra ocasião, um determinado serviçal da Ditadura e de suas práticas foi agraciado, no ocaso de suas maldades, com o título de cidadão benemérito. Atitudes assim se tornam uma “desomenagem”, pois desdouram o verdadeiro mérito e desprestigiam aqueles tantos que, merecidamente, foram agraciados com seus respectivos títulos honoríficos!

Certa vez, conversando com o sempre saudoso Carlito Campos, em sua sala de trabalho, ele me confidenciou:

- Marcelo, fui vereador de Amparo durante 24 anos e presidi a Câmara nos anos de 1955/56/57/69/70 e 71. Naquele tempo, vereador não ganhava nada. Você sabe quantos títulos de cidadão amparense nós concedemos ao longo desses 24 anos?

- Não, “Seu” Carlito!

- Apenas dois. Um para o governador Carvalho Pinto e outro para o monsenhor Lisboa.

E continuou:

- E títulos de cidadão benemérito, ao longo desses 24 anos, você sabe quantos nós demos?

- Não! – respondi, novamente.

E “Seu” Carlito me respondeu, enfaticamente:

- Nenhum!

Pois é... Isso, por si só, comprova o peso de que se revestia, na época, um título de cidadania...

Recentemente, protocolei, na Secretaria do Legislativo amparense, um documento sugerindo que a Câmara Municipal de Amparo outorgasse, “post mortem”, o título de cidadão amparense a Bernardino de Campos, grande brasileiro, que nasceu em Pouso Alegre/MG, mas residiu em Amparo durante 22 anos. Até o momento, fizeram ouvidos moucos ao meu pedido formal.

Fato é que esse reconhecimento oficial, representado pela outorga dos títulos de cidadania, não pode ser banalizado, sob pena de perder, perante a coletividade, a importância que realmente tem.

Nota da redação: Marcelo Henrique é jornalista, poeta e escritor.


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