Por: João Aparecido da Luz
14/10/2019
05:00

“A Bahia deu para mim a família e São Cristovão, Sergipe, deu a certeza de minha vocação religiosa”.  Estas palavras são de Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes ou simplesmente Irmã Dulce, o que reafirma a convicção da sua vida religiosa e de ajuda aos pobres. A santidade foi visível ao longo da sua vida. Não poupou esforços para perseguir os objetivos de caridade e de ajuda aos pobres e já com 13 anos passou a acolher mendigos e doentes, convertendo sua própria casa num local de atendimento aos mais necessitados.

Com o passar do tempo, já formada professora, a freira passa a peregrinar de abrigo em abrigo levando os pobres que recolhia pelas ruas de Salvador, Bahia, até conseguir se estabelecer num galinheiro ao lado do Convento Santo Antônio, e é ali que surge um dos hospitais mais importantes da cidade. Por muitos anos, luta contra um enfisema pulmonar que compromete seu pulmão, mas, ainda assim, leva a efeito a construção do hospital. A OSID, Obras Sociais da Irmã Dulce, entidade filantrópica que abriga um dos maiores complexos baianos de saúde e ensino aos pobres e necessitados, vem atendendo milhares de pessoas sem recursos.

Caravanas chegavam para conhecer as obras sociais de Irmã Dulce dos Pobres. Ela entrava nos ônibus e fazia o convite: “Eu convido vocês a fazerem uma poupança no céu. Vocês ficam preocupados em poupar, guardar dinheiro para render juros no banco. Se fizerem caridade, servirem aos pobres e se doarem a eles, vocês estarão fazendo uma poupança no céu”.

Em 9 de fevereiro de 1933, Maria Rita chega ao Convento do Carmo, na cidade de São Cristóvão, Sergipe, para fazer parte da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição Mãe de Jesus. Em 13 de agosto do mesmo ano, recebe o hábito e se despede de seu nome para assumir o nome de Irmã Dulce em homenagem à sua mãe, precocemente falecida.

Nasceu em 26 de maio de 1914 em Salvador, Bahia, portanto uma soteropolitana, e partiu para o descanso eterno em 1992. Foi beatificada em 2011 e, decorridos 27 anos de sua morte, será oficialmente declarada santa em cerimônia presidida pelo Papa Francisco, no Vaticano, em Roma, no dia 13 de outubro de 2019, sendo a terceira mais rápida canonização, atrás apenas da santificação de Madre Teresa de Calcutá e Papa João Paulo II. Por coincidência, essa data, 13 de outubro, lembra a sexta e última aparição de Nossa Senhora em Fátima aos pastorinhos Lúcia, Jacinta e Francisco. Trata-se da primeira mulher nascida no Brasil a ser santificada.

Desde criança, descobriu a missão de ajudar os pobres. Quem conviveu com ela, notava que, a cada dia, era visível a sua santidade com doação incondicional ao próximo, aos pobres e necessitados. Sua dedicação era tanta que chegou a questionar a ordem quando foi lhe foi colocado: “Há momento de oração e momento para trabalhar pelos pobres; portanto, você deve escolher” ao que ela respondeu: “Já fiz a escolha há muito tempo, vou trabalhar para os pobres”. Tempos depois, a convite da Ordem, retornou para as fileiras da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição Mãe de Jesus.

Um novo destino turístico religioso surge em Salvador, capital da Bahia. É uma oportunidade para conhecer o Memorial e Santuário da contemporânea Irmã Dulce, o anjo bom da Bahia, a Rita dos pobres, a “Santa Dulce dos Pobres”, cujo dia é celebrado no dia 13 de agosto, data em que recebeu o hábito. Boa viagem!

Nota da Redação: João Aparecido da Luz é escritor, advogado e cronista de viagem

 

 


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