Por: Antonio Carlos de Oliveira
05/11/2019
12:00

Hífen é aquele tracinho chato, metido, usado na separação das sílabas, na formação de certas palavras compostas e na combinação de verbos com os pronomes pessoais oblíquos. Exemplos: ja-ne-la, beija-flor, usá-la, encontrei-o, entreguei-lhe, serviram-no etc. Os entendidos da Língua Portuguesa, na reforma ortográfica que fizeram, bem que poderiam ter suprimido o tal tracinho chato de nome elegante: sinal diacrítico. Poderia ser conservado na separação de sílaba e na combinação dos verbos com os pronomes pessoais. Na verdade, o hífen foi criado mais para complicar do que ajudar. Vamos, aqui, então, levar o tema para o lado lúdico da língua. Contrassenso é usar hífen aqui nesta frase. Use o bom-senso com hífen. Ave, ararinha-azul, os que vão te caçar não te saúdam mesmo com hífen e tudo. No dia a dia, estou usando menos aquele tracinho. De segunda-feira até sexta-feira, escrevo e uso hífen; aos sábados e domingos, desfruto o pé-de-meia com hifens e tudo. O beija-flor e o bem-te-vi pousaram no ipê-roxo, levando um hífen para ele. Ainda não extraíram o hífen do cirurgião-dentista. Mesmo nos momentos difíceis, é preciso ter bom humor sem hífen. Super-homem mal-humorado chega à sub-região pan-americana para ensinar o uso correto do tracinho chato e já vai cantando: Villa-Lobos, sem hífen, soa desafinado. Segunda, sem o hífen e sem feira, é um dia da semana do mesmo jeito. O mesmo já não acontece com tico-tico no fubá e reco-reco no samba. Sem ele, o pássaro fica feio e o samba, atravessado.

Ao leitor, as nossas escusas por ter usado várias vezes a tal palavra. Que ela fique por conta do humor...

Nota da Redação: Antonio Carlos de Oliveira, professor e escritor, é membro da Academia Amparense de Letras (AAL)

 


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