Editorial – A segurança da urna eletrônica

Em entrevista coletiva, a primeira concedida desde que assumiu a Presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Dias Toffoli rebateu, no último dia 17 de setembro, as críticas à confiabilidade da urna eletrônica.
Recentemente, o candidato do PSL a presidente Jair Bolsonaro levantou dúvidas sobre a possibilidade da sua não eleição neste ano, sugerindo que poderiam ocorrer fraudes nas urnas eletrônicas. A respeito de afirmações recentes do candidato do PSL, Dias Toffoli respondeu que “a urna é 100% confiável”. “A respeito disso, eu digo apenas que ele sempre foi eleito usando a urna eletrônica”, disse Toffoli sobre as suspeitas levantadas pelo candidato. “Os sistemas são abertos a auditagem para todos os partidos políticos seis meses antes da eleição, para todos os candidatos e para a Ordem dos Advogados do Brasil”, destacou o presidente do STF.
Ele ressaltou ainda que, pela primeira vez, as eleições no Brasil serão acompanhadas por observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA). “Tem gente que acredita em Saci Pererê”, disse o ministro a respeito das suspeitas sobre a urna.
O Brasil adota urnas eletrônicas desde a eleição de 1996. Atualmente, o País é o único do mundo que possui um sistema de eleições 100% eletrônico. Isso fez surgir muitas vezes, principalmente nas redes sociais, a manifestação de muitas pessoas que, por falta de conhecimento, levantam dúvidas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas.
De acordo com o Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (International Idea) – organização independente que acompanha processos eleitorais em todo o mundo –, 23 países usam sistemas de votação eletrônica em eleições nacionais, dentre 167 analisados. Há também outros 18 países que adotam a tecnologia em eleições regionais. Alguns estados norte-americanos também o utilizam.
O TSE realiza testes públicos de segurança das urnas eletrônicas regulares e com técnicos de fora do Tribunal. Após os testes, o Tribunal apresenta um relatório com as falhas e apresenta as soluções, chamando novamente os técnicos externos para conferir a correção implantada. O presidente do TSE, ministro Dias Toffoli, disse que o “sistema eletrônico de votação é auditável, é verificável. Nos dias que antecedem as eleições, os técnicos do TSE se preparam para serem atacados por hackers de todo o mundo. Segundo o secretário de Tecnologia da Informação do tribunal, Giuseppe Janino, são 200 mil tentativas por segundo de quebrar o sistema de segurança da urna eletrônica, sendo que ninguém nunca conseguiu adulterar o sistema.
Porém, vale lembrar que os testes realizados pelo TSE também já foram contestados e mostraram que o sistema eletrônico brasileiro não é totalmente confiável.
Todos sabem que o Brasil deve ter, neste ano, uma das eleições mais disputadas e divididas da sua história. Todos os partidos políticos tiveram o direito de auditar as urnas eletrônicas e questionar todas as dúvidas possíveis. Sugerir, no momento, a possibilidade de fraude na eleição é, com certeza, um risco muito grande para o País.
O resultado da eleição deste ano deve ser aceito tanto pelo lado vitorioso como pelo lado derrotado. Posteriormente, seria, sim, interessante rediscutir a utilização do voto impresso nas urnas eletrônicas brasileiras. Neste caso, as urnas seriam equipadas com uma impressora para que se possa armazenar os votos em uma listagem e que fosse comparada com os dados armazenados magneticamente em caso de dúvidas.
Por último, levantar suspeitas sobre o resultado da eleição neste ano será um desserviço à democracia brasileira e ao futuro do País.

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