Editorial – Que seja feita a vontade do povo

No próximo domingo, 7 de outubro, os brasileiros vão escolher o próximo presidente do País. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 147.302.354 pessoas estarão aptas a votar neste domingo. Pesquisas divulgadas no decorrer desta semana pelos Institutos DataFolha e Ibope mostram que o pleito deste ano poderá ter segundo turno disputado por dois candidatos tidos como extremistas. Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) devem ser os candidatos que estarão disputando o segundo turno no próximo dia 28 de outubro.
O capitão da reserva Jair Messias Bolsonaro (PSL) disputa pela primeira vez a Presidência do Brasil. Apesar de se considerar o novo na política brasileira, Bolsonaro, desde primeiro de fevereiro de 1991, é deputado federal pelo Rio de Janeiro. Apesar do longo tempo na política, Bolsonaro sempre pertenceu ao baixo clero do Congresso Nacional, ou seja, sempre esteve entre os políticos com participação mediana ou medíocre no Poder Legislativo nacional. Nos seus 27 anos como deputado, foram poucos os projetos de sua autoria aprovados e, em grande parte das votações polêmicas, esteve ausente. Nos últimos anos, seu único projeto foi apoiar e eleger os filhos também como políticos. O próprio Bolsonaro diz que “nada sabe” sobre economia e muitos outros assuntos, apesar de estar há longo tempo na vida pública, e vai deixar tudo para ser resolvido pelos seus futuros assessores.
Bolsonaro se destacou por suas posições em relação às mulheres, aos negros, aos homossexuais, aos índios e às minorias. Sempre defendeu que violência se combate com violência e tem como ídolos torturadores da Ditadura Militar brasileira (1964-1985). Defende, ainda, a criação de leis para que qualquer pessoa possa ter uma arma. A truculência com que trata os demais deputados (principalmente as deputadas mulheres) e jornalistas fez com que ele se tornasse uma figura polêmica.
As posições políticas que envolvem o candidato do PSL foram totalmente favoráveis ao candidato no atual momento brasileiro e mundial, quando são muitas as pessoas que defendem o ódio por tudo e por todos, principalmente nas redes sociais. Bolsonaro se apresenta com o “Messias” que vai acabar com a corrupção no Brasil, justamente como Fernando Collor de Mello, em 1989. A preocupação do brasileiro em relação à violência também está sendo bem explorada pelo capitão da reserva e agora candidato. Vale lembrar que, em 27 anos como deputado, Bolsonaro, como deputado do Rio de Janeiro, viu a capital do seu Estado se tornar uma das cidades mais violentas do Brasil e nunca apresentou propostas sobre como resolver o problema. Pode-se dizer que foi omisso.
Por último, motiva a volta da Ditadura e, nas últimas semanas, chegou a sugerir que, caso não eleito, o pleito eleitoral seria uma fraude, colocando em dúvida as eleições deste ano e pondo em xeque a própria democracia do Brasil conquistada a duras penas.
Do outro lado, está Fernando Haddad (PT), candidato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Diferentemente de Bolsonaro, Haddad já teve experiência no Poder Executivo, como prefeito de São Paulo. Porém, sua administração deixou a desejar e não conseguiu ser reeleito, perdendo, inclusive, no primeiro turno da eleição de 2016.
Pesa sobre Haddad o temor de que, caso seja eleito, o Brasil seja comandado, de dentro de um presídio, ou seja, Haddad estaria subordinado às ordens do ex-presidente Lula, preso sob a acusação de corrupção. Pesa também sobre o candidato do PT o temor de que o Brasil fique ainda pior economicamente, já que, para muitos, a atual crise no País é uma herança do PT, principalmente da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Por último, Haddad resiste em concordar que o seu partido deveria fazer uma autocrítica dos anos em que esteve no poder e admitir que erros foram cometidos e houve corrupção.
A corrupção praticada pelo PT fez aumentar na população a desconfiança e principalmente o ódio pelos políticos. Tal situação fez surgir figuras como Bolsonaro, tido como honesto, mas vazio de propostas sérias para os problemas do Brasil.
Sobre os candidatos de centro, pode-se dizer que, hoje, são fracos e insignificantes na disputa eleitoral deste ano. As posições fisiológicas e momentâneas, a falta de propostas sérias também foram motivos para que os políticos tidos como moderados simplesmente fossem ignorados na eleição de 2018. Pode-se dizer que os políticos de centro no Brasil estão colhendo aquilo que plantaram.
Caso realmente ocorra segundo turno, caberá ao brasileiro escolher entre os extremos. Certamente nenhum extremismo é bom e nunca foi favorável a nenhum país do mundo. Na democracia, deve prevalecer, sempre, a vontade da maioria. Se o povo assim o desejar no próximo domingo, que assim seja.

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