Editorial 01/02/2019 – O barato pode sair caro

No Brasil, sempre algo tem que acontecer e pessoas morrerem para as autoridades criarem leis exigindo de empresários mais segurança em empreendimentos que estão realizando. Assim foi com o edifício Joelma em 1974. Na ocasião, mais de 179 pessoas morreram e mais de 300 ficaram feridas num incêndio. Somente depois do ocorrido, a cidade de São Paulo teve o seu código de obras, criado em 1934, reformulado e adequado para grandes edifícios. O incêndio na Boate Kiss foi outra tragédia que matou 242 pessoas e feriu 680 outras numa discoteca da cidade de Santa Maria, no estado do Rio Grande do Sul, em 2013. Depois disso, o Brasil inteiro passou a discutir e exigir mais seguranças em ambientes fechados. Na sexta-feira, 18 de janeiro, em Brumadinho (MG), com o estouro de um reservatório, muitas pessoas morreram soterradas pela lama. Agora, o país começa a exigir que os órgãos ambientais devem agir com mais rigor, limitar os licenciamentos ambientais sobre grandes empreendimentos e serem mais rigorosos com empresas mineradoras.

O ocorrido em Brumadinho fez até mesmo o presidente Jair Bolsonaro mudar o seu discurso. Durante a campanha eleitoral do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro adotou um discurso em que dizia que iria rever as regras de licenciamento ambiental sobre empreendimentos realizados no país. O discurso de Bolsonaro agradava grandes empresas responsáveis por grandes empreendimentos que estavam encontrando dificuldades em realizar os seus investimentos no Brasil. Porém, depois do ocorrido na sexta-feira, 18 de janeiro, em Brumadinho (MG), o governo do presidente Bolsonaro mudou a fala radicalmente e passou a modular o discurso crítico às dificuldades de conseguir licenciamentos ambientais. Agora, o governo diz que vai facilitar licenças apenas para empreendimentos de baixo impacto.

Cabe, sim, ao governo exigir de todo empreendedor toda a segurança possível. A criação de leis com exigências com segurança não pode ser vista, principalmente pelo empresariado, como empecilhos para crescimento de seus negócios. Acredita-se que as exigências mais ajudem do que atrapalhem. Pode-se exemplificar isso citando o ocorrido em Brumadinho. Todos sabem que mineradoras contam com o apoio de vários parlamentares no Congresso Nacional. Tal situação dificulta a aprovação de Leis com exigência sobre essa atividade no País. Alegam os empresários da área que as exigências tornam muito alto o custo do empreendimento. No caso de Brumadinho, a Vale, empresa responsável pelo ocorrido, perdeu bilhões em ações na Bolsa de Valores, terá ainda que pagar outros bilhões em indenizações para as vítimas e multas para órgãos ambientais. Por último, terá sua imagem manchada em todo o mundo. Concluindo: se seria caro investir em segurança, ficará, agora, muito mais caro pagar pelo ocorrido em Brumadinho. O barato saiu caro.

Tanto o governo brasileiro como os empreendedores devem ter consciência de que ter leis que regulamentem atividades, ter leis com normas de segurança e, principalmente, investir em segurança é importantíssimo em qualquer negócio. Está na hora de todos pensarem assim e não ficar esperando uma nova tragédia para começar uma nova discussão.

Comentários

comentários