Cia. Lázara apresenta a peça “Anjo Negro”

Estreia neste sábado, dia 16 de março, mais uma jornada Rodriguiana da Cia. Lázara de Teatro, mais uma provocação do anjo pornográfico e seu teatro desagradável. A peça será apresentada nos dias 17, 23 e 24 de março, sempre às 20h23, na Casa do Teatro, na Rua Barão de Campinas nº 519, centro de Amparo. Recomendável a partir de 14 anos. Os ingressos têm preço único de R$10,00.

Nelson Rodrigues é cronista de espírito rebelde e percepção apurada. Frasista talentoso, cunhou diversas expressões que se cristalizaram na cultura brasileira. Quando questionaram sobre os tabus que revela em suas peças, o dramaturgo pernambucano dizia: Teatro não tem que ser bombom com licor!

Escrita em 1946, Anjo Negro rompe com características até então comuns ao teatro brasileiro, como a unidade temporal (história transcorrida ao logo de apenas um dia). A história se passa em 23 anos, de forma não linear.

Sobre a obra

Chocante certamente é uma palavra que define bem a peça Anjo Negro (1946) de Nelson Rodrigues (1912-1980). “Ao levantar temas como racismo e filicídio, o autor apresenta uma radiografia de uma sociedade que censura e vitimiza aqueles que não se encaixam ou não seguem suas regras.”

O elemento que direciona todas as ações humanas nesta obra de Nelson Rodrigues é a sexualidade, apresentada sempre de forma corrompida. “O sexo está o tempo todo relacionado à violência e ao desejo proibido.”

O autor provoca o público, utilizando o choque para trazer à tona tudo o que está velado na sociedade. Trata-se de uma tragédia com um desfecho inesperado.

Nelson Rodrigues

A peça causa repulsa devido às ações bárbaras e delituosas dos personagens, mas, de algum modo, atrai espectadores impressionados que buscam entender a razão de tais acontecimentos. Diante disso, a questão que vem à tona é: até que ponto a sociedade em que esses personagens estão inseridos contribui para a manutenção de situações impiedosas e desumanas como essas descritas na peça, até porque, segundo Hannah Arendt (1994): “É inegável que tais atos, nos quais os homens tomam a lei em suas próprias mãos para o bem da justiça, estejam em conflito com as constituições das comunidades civilizadas”.

Esse panorama de condutas desordenadas, psicóticas e violentas, coloca a peça diante de uma concepção expressionista da literatura, pois há a procura de uma nova forma de captar a realidade, a evolução social e cultural, em que o indivíduo manifesta a sua insegurança e desesperação e impotência diante de poderes desconhecidos (sociedade) que regem o seu destino.

Uma das características do expressionismo no teatro é a defesa das transformações sociais. Em Anjo Negro, a essência da natureza do homem é desvendada com o objetivo de influenciar e questionar as convenções, não como apologia à violência, mas, pelo contrário, a partir de tensões e conflitos, trazer à tona questões que muitas vezes permanecem adormecidas na memória coletiva.

No elenco, estão: Giovana Gabriel, Henrique Gozi, Giovanna Lopes, Larissa Coelho, Natalia Pereira, Patricia Godoy, Thayná Darhouni, Rosa Maria Daólio, Camila Lima, Fernando Ferro e Renato Vieira.

A peça tem arte de Giovana Gabriel, maquiagem de Kaique Oliveira, cenografia de Ju Pavessi e Alexandre Cruz, figurinos de Luz e Sonoplastia, trilha original de Vinicius Vas, técnica de Alexandre Panhan e dramaturgia e direção de Alexandre Cruz. Mais informações: (19) 3808-1732.

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