O papel do Fonoaudiólogo e o aleitamento materno

O fonoaudiólogo pode atuar desde o nascimento promovendo e estimulando o aleitamento materno. Alguns bebês recém nascidos não conseguem sugar principalmente os bebês pré-maturos, por apresentarem incoordenação no processo, por exemplo, respiração, sucção e deglutição, ou pela prematuridade neonatal que em alguns casos a sucção ainda não está desenvolvida como um ato reflexo.

A maioria dos recém nascidos prematuros necessita de alimentação por meio de sondas, por conta da imaturidade fisiológica do sistema estomatognático (lábios, língua, bochechas, mandíbula, palato duro) e assim necessitam de estimulação e intervenção precoce. Assim quando existe essa dificuldade por incoordenação ou pela prematuridade do nascimento, entra o trabalho do fonoaudiólogo, que tem como objetivo adequar a estimulação da sucção de forma segura e assim contribuir para a amamentação e para o aleitamento materno exclusivo.

O fonoaudiólogo realiza então, a estimulação da sucção através de técnicas inicialmente de sucção não nutritiva, estimulação dos reflexos orais. Após essa primeira estimulação, inicia-se a segunda etapa que é a estimulação da sucção nutritiva com o leite materno. Com essa intervenção os bebês aprendem a sugar mais rapidamente do que aqueles que ficam sem estimulação fonoaudiológica

O leite materno é o alimento natural do bebê e não tem custo para a mãe. Amamentar é um ato de amor, carinho e cuidado e deve ser realizado logo nas primeiras hora depois do parto. A importância de estimular o aleitamento logo após o parto é que o primeiro leite conhecido como colostro, é uma vacina natural para o bebê. O leite materno é o alimento completo, composto por água, carboidratos, proteínas, gordura, aminoácidos, lipídeos, minerais e imunoprotetores que contribuem para o crescimento e desenvolvimento do bebê. Além disso, crianças alimentadas com leite materno chegam a dobrar de peso do nascimento até os seis meses de idade.

Quanto aos aspectos fonoaudiológicos da amamentação, podemos dizer que quando o bebê mama no seio, a movimentação feita pela língua, lábios, bochechas, faz com que haja um crescimento harmônico da face, promovendo um exercício intenso da musculatura orofacial estimulando e favorecendo funções vitais como: respiração e deglutição. Além disso, promove também o posicionamento adequado da língua dentro da boca, devido a sua movimentação intensa durante a amamentação o que ajuda na manutenção da respiração nasal. Crianças que utilizam mamadeiras e/ou chupetas tem a tendência a manter a boca aberta e a língua posicionada entre os dentes ou tocando nos dentes inferiores, induzindo a respiração bucal, levando desta forma a alterações na arcada dentária e também nas narinas, no palato (céu da boca), além de contribuir para estados de alergias e infecções principalmente respiratórias.

A amamentação é uma forma de estimular o crescimento facial do bebê, pois quando o bebe suga, ele está fazendo uma movimentação da mandíbula para frente e para trás proporcionando assim o crescimento harmônico crânio-facial, além de exercitar toda a musculatura orofacial, como língua, lábios e bochechas. A musculatura orofacial tem um papel fundamental na fala e na respiração. É através dela que posteriormente a criança terá bases fisiológicas para articular bem os fonemas durante a fala.

Crianças que não são amamentadas no seio geralmente tem a mandíbula pequena (queixo curtinho). Também tem a tendência a posicionar a língua para fora da boca, ou entre os dentes, o que causa alterações na arcada dentária além de alterações na articulação de determinados fonemas durante a fala, posicionando ao falar “sapato” por exemplo, a língua entre os dentes ao falar principalmente o “s” e o “t”, o que chamamos de projeção lingual. Por esses motivos, incentive o aleitamento materno.

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