Gagueira Infantil


A gagueira na infância tem de 98% a 100% de chances de ser eliminada desde que
adequadamente detectada e competentemente tratada, isso significa que as pessoas que
interagem com a criança, do seu pediatra ao seu professor de pré-escola, além de seus
pais e familiares, devem estar atentas ao desenvolvimento da fala e da linguagem da
criança. É comum as crianças apresentarem disfluências entre os dois e os quatro anos.
Essas disfluências tendem a desaparecer em três meses . Se a criança continua falando
com repetições de sílabas e palavras pequenas, prolongando sons em demasia ou ainda,
travando no início de uma fala, procure um fonoaudiólogo.
Assim, chegamos à primeira orientação:

1. OUÇA A FALA DE SUA CRIANÇA COM ATENÇÃO. Não pressuponha que a gagueira
esteja acontecendo porque houve um susto, ou porque nasceu (ou faleceu) alguém, ou
porque levou um tombo e bateu a cabeça, entre tantas alternativas. As causas da gagueira
ainda não são conhecidas plenamente. Porém, já se sabe com bastante certeza, que
eventuais problemas emocionais são conseqüência de uma fala gaguejada, não tratada
em tempo hábil de ser revertida. Por isso, a segunda orientação tem a ver com a presteza
com que você vai agir.

2. NÃO ESPERE. Aprender a falar é muito complicado. Não pense que sua criança ainda
é tão pequena, que isso vai passar… Gagueira que durar mais de três meses precisa ser
avaliada pelo fonoaudiólogo especialista e, se for o caso, tratada. A prevenção é a melhor
forma de se impedir que uma gagueira fique crônica. Ainda não podemos impedir que uma
criança comece a gaguejar, especialmente se há outras pessoas que também gaguejam
na mesma família. Mas podemos impedir que esta criança se torne um adulto que
gagueja. Podemos colaborar para que tenha falas fluentes.

3 .APRESENTE O MODELO DESEJADO. Mostrar ao invés de mandar fazer é muito mais
eficiente. Se quiser que a criança fale mais devagar, por exemplo, então fale você mais
devagar com ela. Isto vai lhe permitir entender o que lhe é solicitado. Seja um bom modelo
de fala para a criança.
Falar com ao invés de falar para. Significa ouvir mais e mandar menos, ter tolerância,
promover experiências agradáveis de fala, auxiliar a criança a expressar seus
sentimentos.
Usar a comunicação não-verbal. Expressar apoio, usar padrão vocal afetuoso, ter
proximidade, demonstrar afeto e compreensão. Tocar a criança, acolhê-la.
Diminuir a pressão do tempo na comunicação. Falar mais devagar com a criança, dar-lhe
tempo, não interromper. Falar com a criança na mesma altura dela. Abaixe-se, ou traga-a
para a altura de seus olhos. Assim ela não precisará ficar olhando para cima, tensionando
o pescoço.
Aceitar a criança que gagueja. Procurar entender as diferenças individuais da fala,
aumentar a tolerância, expressar aceitação, descrever os comportamentos ao invés de
rotulá-los. Conversar com a criança a respeito da “boca que às vezes tranca”, “da fala que
às vezes parece difícil”, orientando-a direta e calmamente, evitar dizer “pare”, “respira”, “fala devagar”, nem pedir para parar e começar de novo. Tentar reduzir os medos e as
frustrações com a fala gaguejada para mostrar à criança como lidar com estes
sentimentos.

4. EVITAR A “CONSPIRAÇÃO DO SILÊNCIO”. Falar com seus familiares sobre a
gagueira, sobre como é importante respeitar a criança que não quer ser centro de
atenções, a necessidade de que a escola e os professores estejam orientados para
manejos em sala de aula e em momentos de tensão, como a hora da novidade ou da
leitura.

5. Para tanto, é preciso ATUALIZAR E MAPEAR CONHECIMENTOS que permitam maior
precisão na sua busca de solução para a gagueira de sua criança. Acima de tudo, faça
com que ela sinta a sua importância no meio onde está, apesar de sua gagueira. Se ela
conseguir pensar “Gaguejo sim, e daí”, os caminhos ficarão mais fáceis.

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